POV: ROCCO BLACKWOOD
Colei o ouvido na divisória de plástico da cabine, prendendo a respiração de um jeito que os meus pulmões começaram a arder.
— Sky, fala baixo! — a Sakura ralhou, e o som do eco no azulejo indicou que ela devia estar lavando as mãos. — Olha, você sabe que eu não sou nenhuma especialista no assunto. Eu passei grande parte da minha vida doente, trancada em cima de uma cama de hospital.
— Eu sei, Sá... — a voz da Sky baixou um tom, parecendo genuinamente compreensiva.
— Mas chegou um ponto em que a minha saúde melhorou e, bem... os meus hormônios acordaram com força total — a Sakura continuou, soltando uma risada tímida. — Minha mãe já tinha conversado comigo sobre o corpo humano, mas eu queria o Nathan. E desde o dia em que conheci o amigo do meu irmão, com o tempo desenvolvi a atração e depois soube que ele era o maior galinha do Colégio. Só que me apaixonei e queria fazer antes de eu morrer. Então, como eu passava muito tempo internada sem fazer nada, comecei a ler muitos livros e a pesquisar na internet. Aprendi que era importante me tocar. Descobri o que eu gostava sozinha primeiro, para depois não ficar perdida.
Livros e internet. Dei um sorriso cínico no escuro da cabine. Se a Sakura soubesse o nível do "professor particular" que a Sky arrumou na noite anterior, ela rasgaria todos os manuais do G****e.
— E você, Sky? — a Sakura perguntou, e o barulho do secador de mãos barulhento do aeroporto ligou, me fazendo pressionar ainda mais o ouvido contra a fresta. — Nunca tentou nada? Qual foi a coisa mais ousada que você já fez na vida?
Meu coração deu um solavanco violento contra as costelas. O Big Black latejou instantaneamente.
— Ah, Sakura... eu não quero contar — a Sky resmungou, e o tom de voz dela entregou tudo. — É... privado. Mas digamos que a coisa mais ousada aconteceu no dia em que eu descobri que estava sendo traída pelo meu noivo. Eu fiquei cega de raiva, fui para um bar, conheci um cara e a gente se beijou muito, se pegou demais de um jeito que eu nunca tinha feito antes. A gente quase transou, mas paramos antes.
Um suspiro imenso de alívio escapou pelos meus lábios, tão forte que tive que tapar a minha própria boca com a jaqueta para não fazer barulho.
Sou eu. Ela estava falando daquela nossa primeira noite, o maldito dia em que ela me confundiu com a porra de um gigolô por causa do flagrante do ex-noivo imbecil dela. Minha alma voltou para o corpo e o meu ego subiu direto para o teto do banheiro feminino a coisa mais ousada que ela fez foi comigo.
O alívio, porém, durou exatos 20 segundos.
— Sky, você tem que pensar muito bem, isso é sério — a Sakura aconselhou, a voz assumindo um tom de irmã mais velha protetora. — Quando eu fiquei com o Nathan pela primeira vez, foi porque eu achei que eu ia morrer. Mas você tem que descobrir o seu prazer primeiro. Antes de dormir, passa a mão lá embaixo, se conhece... E você e o Gael? Gosta dele? E o que pretende fazer?..
— Eu não sei! — a Sky bufou, frustrada. — É por isso que eu estou te perguntando!
— Então faz o seguinte: chama o Gael para sair — a Sakura soltou a bomba, destruindo toda a minha paz de espírito. — Deixa ele te beijar de verdade. Quando vocês estiverem sozinhos, deixa ele te tocar, deixa ele enfiar a mão por dentro da sua roupa se você sentir vontade, deixa ele te chupar se ele quiser... vai testando o que você gosta com ele! Tudo começa com um beijo e com o que acontece depois dele. Deixa o Gael tentar.
O meu sangue ferveu a ponto de evaporar. Uma fúria cega, possessiva e completamente descontrolada subiu pelo meu pescoço feito um vulcão.
Deixar o Gael tocar nela? Deixar aquele moleque chupar a minha ruiva?
O ódio foi tão violento que o meu corpo enrijeceu inteiro em cima do vaso sanitário. Meu pé escorregou milimetricamente para o lado e a minha jaqueta social bateu com força total contra a tranca de ferro da porta da cabine, provocando um estrondo metálico absurdo que ecoou por todo o banheiro feminino.
O silêncio que se seguiu foi sepulcral. O barulho das pias parou no mesmo instante.

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