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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 81

POV: ROCCO BLACKWOOD

Colei o ouvido na divisória de plástico da cabine, prendendo a respiração de um jeito que os meus pulmões começaram a arder.

— Sky, fala baixo! — a Sakura ralhou, e o som do eco no azulejo indicou que ela devia estar lavando as mãos. — Olha, você sabe que eu não sou nenhuma especialista no assunto. Eu passei grande parte da minha vida doente, trancada em cima de uma cama de hospital.

— Eu sei, Sá... — a voz da Sky baixou um tom, parecendo genuinamente compreensiva.

— Mas chegou um ponto em que a minha saúde melhorou e, bem... os meus hormônios acordaram com força total — a Sakura continuou, soltando uma risada tímida. — Minha mãe já tinha conversado comigo sobre o corpo humano, mas eu queria o Nathan. E desde o dia em que conheci o amigo do meu irmão, com o tempo desenvolvi a atração e depois soube que ele era o maior galinha do Colégio. Só que me apaixonei e queria fazer antes de eu morrer. Então, como eu passava muito tempo internada sem fazer nada, comecei a ler muitos livros e a pesquisar na internet. Aprendi que era importante me tocar. Descobri o que eu gostava sozinha primeiro, para depois não ficar perdida.

Livros e internet. Dei um sorriso cínico no escuro da cabine. Se a Sakura soubesse o nível do "professor particular" que a Sky arrumou na noite anterior, ela rasgaria todos os manuais do G****e.

— E você, Sky? — a Sakura perguntou, e o barulho do secador de mãos barulhento do aeroporto ligou, me fazendo pressionar ainda mais o ouvido contra a fresta. — Nunca tentou nada? Qual foi a coisa mais ousada que você já fez na vida?

Meu coração deu um solavanco violento contra as costelas. O Big Black latejou instantaneamente.

— Ah, Sakura... eu não quero contar — a Sky resmungou, e o tom de voz dela entregou tudo. — É... privado. Mas digamos que a coisa mais ousada aconteceu no dia em que eu descobri que estava sendo traída pelo meu noivo. Eu fiquei cega de raiva, fui para um bar, conheci um cara e a gente se beijou muito, se pegou demais de um jeito que eu nunca tinha feito antes. A gente quase transou, mas paramos antes.

Um suspiro imenso de alívio escapou pelos meus lábios, tão forte que tive que tapar a minha própria boca com a jaqueta para não fazer barulho.

Sou eu. Ela estava falando daquela nossa primeira noite, o maldito dia em que ela me confundiu com a porra de um gigolô por causa do flagrante do ex-noivo imbecil dela. Minha alma voltou para o corpo e o meu ego subiu direto para o teto do banheiro feminino a coisa mais ousada que ela fez foi comigo.

O alívio, porém, durou exatos 20 segundos.

— Sky, você tem que pensar muito bem, isso é sério — a Sakura aconselhou, a voz assumindo um tom de irmã mais velha protetora. — Quando eu fiquei com o Nathan pela primeira vez, foi porque eu achei que eu ia morrer. Mas você tem que descobrir o seu prazer primeiro. Antes de dormir, passa a mão lá embaixo, se conhece... E você e o Gael? Gosta dele? E o que pretende fazer?..

— Eu não sei! — a Sky bufou, frustrada. — É por isso que eu estou te perguntando!

— Então faz o seguinte: chama o Gael para sair — a Sakura soltou a bomba, destruindo toda a minha paz de espírito. — Deixa ele te beijar de verdade. Quando vocês estiverem sozinhos, deixa ele te tocar, deixa ele enfiar a mão por dentro da sua roupa se você sentir vontade, deixa ele te chupar se ele quiser... vai testando o que você gosta com ele! Tudo começa com um beijo e com o que acontece depois dele. Deixa o Gael tentar.

O meu sangue ferveu a ponto de evaporar. Uma fúria cega, possessiva e completamente descontrolada subiu pelo meu pescoço feito um vulcão.

Deixar o Gael tocar nela? Deixar aquele moleque chupar a minha ruiva?

O ódio foi tão violento que o meu corpo enrijeceu inteiro em cima do vaso sanitário. Meu pé escorregou milimetricamente para o lado e a minha jaqueta social bateu com força total contra a tranca de ferro da porta da cabine, provocando um estrondo metálico absurdo que ecoou por todo o banheiro feminino.

O silêncio que se seguiu foi sepulcral. O barulho das pias parou no mesmo instante.

Só que o destino me odeia.

Assim que botei o pé para fora, dei de cara com uma senhora de cabelos brancos, segurando uma bolsinha de mão, prestes a entrar. Ela travou no lugar, arregalou os olhos por trás dos óculos de grau e me olhou de cima a baixo, focando no meu terno alinhado, no meu tamanho e nas lentes escuras.

— Meu Deus do céu! Isso aqui é o banheiro feminino! — a idosa exclamou, dando um passo para trás, assustada.

Engoli em seco, sentindo o meu rosto queimar de vergonha, e abri o sorriso mais idiota e amarelo que consegui formular.

— Ah... pois é! Nossa, desculpa... é que eu... eu me confundi com as placas — gaguejei, ajeitando a jaqueta social e saindo de lado, parecendo um complete imbecil. — Licença, com licença...

Saí quase correndo pelo corredor do aeroporto, sentindo o suor frio descer pelas minhas costas.

Caminhei de volta para a área de embarque com a mente fritando. Eu estava oficialmente fora dos trilhos. Olhei para as minhas próprias mãos e percebi que o grande Rocco Blackwood, o homem de negócios mais focado de Porto Alegre, tinha virado um maníaco perseguidor de aeroporto.

Até que nível de loucura aquela ruiva bruta ia me arrastar nos próximos cinco dias? Eu já estava agindo feito um psicopata na escala do Rio de Janeiro.

Se o Gael respirasse perto dela em Natal, eu realmente ia acabar atrás das grades.

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