POV: ROCCO BLACKWOOD
Pousamos em Natal debaixo de um sol de rachar. Eram dez horas da manhã e o meu crânio e a minha paciência já tinham ficado em algum lugar do espaço aéreo fluminense. O bando se dividiu em três táxis grandes para ir até o hotel. Eu, claro, fui no primeiro, fazendo questão de arrastar o Nathan, o Diego, o Gael e o Victor comigo para que eles ficassem sob a minha estrita vigilância. Mantive os meus óculos escuros no rosto e o mais absoluto silêncio durante todo o trajeto.
Quando os carros encostaram na recepção da Pousada Boutique, o balcão do check-in estava um verdadeiro formigueiro de turistas por causa do maldito feriado local.
O Nathan assumiu a liderança com a prancheta de reservas na mão, enquanto as quatro equipes se amontoavam logo atrás, jogando as malas no chão e conversando alto. A Sky estava a poucos metros de mim, parecendo um pouco menos raivosa do que no voo, mas ainda sem coragem de me encarar.
— Beleza, galera, atenção aqui na divisão que o hotel liberou! — Nathan anunciou, batendo a caneta na prancheta para chamar a atenção do bando. — Como a cidade está entupida, a gerência não conseguiu os quartos triplos que a gente precisava e como Diego e Rocco vieram isso dificultou um pouco mais. Eles nos deram três quartos triplos e três quartos de casal.
O Diego deu um passo à frente, tentando organizar o orçamento e a logística com o Nathan.
— Olha, pode ser assim: a equipe Gouveia ficam em um quarto triplo, a equipe Lacerda em outro, e a equipe Zênite das meninas fica no terceiro quarto triplo. Eu e o Nathan ficamos em um quarto duplo, dividimos a equipe Garcia dois dos meninos em outro e o Gael pode ficar com o Rocco no último quarto de casal.
— Parece bom — respondi, a voz saindo no meu tom corporativo normal.
Ficar no mesmo quarto que o Gael seria uma boa oportunidade para especular as intenções daquele moleque de perto e mantê-lo bem longe da minha ruiva.
Sakura, com a maior cara de inocência do mundo, deu um passo à frente.
— Ah, gente, a gente não pode separar o casal.
— Que casal? — Victor perguntou surpreso, estreitando os olhos na mesma hora.
— Ué, o Gael e a Sky — ela respondeu de forma irritantemente doce e ingênua. — O Rocco é rico, ele consegue um quarto só para ele, uma suíte master com o cartão dele. Não é, Rocco? — ela me perguntou, fazendo um beicinho.
A Sakura estava linda, eu a adorava, mas a minha vontade naquele milésimo de segundo era arrancar a língua dela com um alicate.
O Gael, que parecia um cachorro abanando o rabo em dia de parque, quase abriu um sorriso de orelha a orelha, olhando para a Sky com os dentes brilhando.
— Cara, por mim está perfeito. A gente super se ajeita.
Naquele exato instante, o meu coração não apenas acelerou; ele deu um triplo mortal carpado dentro do meu peito. Senti um suor frio brotar instantaneamente na minha nuca e a minha pressão caiu tanto que o chão de mármore da recepção pareceu flutuar.
Com o Gael.
Em um quarto de casal.
Num estalo totalmente psicótico, a minha mente projetou a Sky deitada naquela cama com ele. Pior: projetou a ruiva exatamente nas posições em que a deixei na noite anterior em Porto Alegre, mas com as mãos daquele moleque tocando a pele dela. Sentindo o cheiro dela. Ouvindo os gemidos dela.

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