Ema ficou em silêncio.
Ela não queria se envolver nesse tipo de coisa, mas recusar o pedido de sua ídola parecia errado.
Ema hesitou por um momento e disse com cautela:
— Zuleika, se eu a encontrasse, talvez ficasse mais perdida que você. Também tenho receio de gente assim. Quanto a um método, que tal tentar pressioná-la com o contrato?
Zuleika acenou com a mão:
— Contrato? Ela não está nem aí. É aquilo: quem tem padrinho faz o que quer. Deixa pra lá, não vamos falar dela. E você, o que tem feito depois de formada?
Ema fez uma pausa e respondeu:
— Depois da formatura, peguei alguns trabalhos avulsos, mas não ganho muito. Por isso pensei em entrar para um estúdio. A Casa de Luz é top de linha no mercado, mas acho que vai ser difícil entrar.
Zuleika deu um tapinha no ombro de Ema, consolando-a:
— Não desanime. Com o seu nível de fotografia, você entra aqui com a maior facilidade. Quando eu descobrir os detalhes com o RH, penso em algo para te ajudar.
As palavras de Zuleika deixaram Ema extremamente envergonhada. Ela conhecia um pouco a índole de Zuleika; era muito prestativa e, se dizia que ajudaria, ajudaria mesmo.
Já ela, Ema, não parecia estar sendo tão sincera.
Ema ficou num dilema por um instante, depois fingiu ter acabado de pensar em uma solução e sussurrou algo no ouvido de Zuleika.
Zuleika estalou os dedos imediatamente após ouvir.
— Ótimo, vamos fazer assim. Isso também vai satisfazer minha curiosidade fofoqueira. Quero ver até que ponto vai a cegueira daquele Alípio.
Vendo a alegria de Zuleika, Ema sentiu que estava retribuindo a sinceridade dela.
— O café está ruim? Lembro que você gostava de chá gelado. Vamos, desça comigo que eu pago um para você.
Zuleika abraçou os ombros de Ema com entusiasmo e falou rápido.
Ema olhou para o copo de café que havia deixado na mesinha e disse gentilmente:
— Meu estômago não está muito bom ultimamente, não estou podendo tomar café. Zuleika, tenho algumas coisas para resolver, então não vou agora. Além disso, você ainda tem trabalho. Outro dia eu te pago um.
Zuleika disse, desapontada:
— Tudo bem, eu queria conversar mais com você. Você mudou o número? Parece que não vejo mais suas atualizações.
Ema pegou o celular e abriu o némero para ela:
— Por alguns motivos, troquei. Salva meu novo número.
Desde que pegou a certidão de divórcio, ela trocou de número.
Zuleika gritou alto demais, e o olhar de Ema desviou-se involuntariamente para a direção do carro.
Alípio e Helena estavam olhando para lá. Helena mantinha aquele olhar hostil.
Já Alípio parecia muito mais abatido do que dias atrás.
Ou talvez fosse apenas falta de descanso por excesso de farra?
Ema manteve a expressão neutra, como se olhasse para estranhos, e em poucos segundos desviou o olhar sem pressa:
— Obrigada, Zuleika. Já vou indo, mantemos contato.
Dito isso, Ema virou-se e apressou o passo.
Só depois de caminhar uma boa distância é que ela escolheu um restaurante, sentou-se e fez o pedido.
Seu estômago ainda estava ácido ocasionalmente, e o apetite era medíocre.
Mas Ema se forçava a engolir cada garfada. Já que decidira ficar com as crianças, precisava usar todas as suas forças para amá-las e protegê-las bem.
Ema comia com dificuldade. Quando levantou a cabeça novamente, um homem sentou-se à mesa oposta.
O olhar de Ema parou exatamente na altura do peito dele, observando a camisa de tecido impecável, sem um único amassado, e sentindo o leve perfume que exalava.

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