Por que ele não estava irritado depois de ver tudo aquilo?
Marcos ainda estava confuso quando a voz descontente de Alípio soou:
— Eu fiz uma pergunta.
Marcos rapidamente saiu de seus devaneios, assentiu e respondeu:
— Sim, Sr. Salazar. Já a encontramos e deixamos pessoas de olho nela. Se o senhor quiser vê-la, posso mandar trazê-la a qualquer momento.
Alípio levantou o olhar, encarou-o por um instante e disse com indiferença:
— Leve-a para a fábrica abandonada na zona oeste, hoje às oito da noite.
— Sim, senhor. Mais alguma instrução, Sr. Salazar? — perguntou Marcos, mantendo o tom polido.
Alípio fez uma pausa antes de ordenar:
— Não precisa investigar nem abafar os assuntos mais comentados na internet. Vincule as notícias da Chaim Estética e Cirurgia a isso, destaque o nome de Brenda no meio e deixe a repercussão crescer.
Ouvir aquilo deixou Marcos bastante apreensivo.
Os internautas já estavam especulando que a mulher ao lado de Alípio no banquete era Brenda. Ele não permitiu que o departamento de relações públicas interviesse, nem deixou que o próprio Marcos fizesse algo.
Se fosse só isso, tudo bem, mas o próprio Alípio estava ordenando que impulsionassem a fofoca.
Marcos não conseguia entender a lógica por trás daquilo.
No passado, a equipe de relações públicas do grupo jamais permitiria que notícias negativas sobre o Grupo Salazar ou sobre Alípio circulassem na internet.
Qualquer dano à reputação de Alípio faria as ações da empresa caírem; de fato, naquela mesma manhã, elas já haviam registrado uma leve queda.
Era a primeira vez que ele sofria um ataque difamatório, e de uma forma completamente absurda.
Marcos reuniu coragem para pedir uma explicação, mas, antes que pudesse abrir a boca, bateram na porta do escritório.
Uma das secretárias de Marcos, Simone Laginha, estava do lado de fora e anunciou:
— Marcos, a fotógrafa Dália Sampaio disse que tem um assunto urgente e precisa ver o Sr. Salazar.
Após dar o recado de forma objetiva, Simone permaneceu aguardando na porta.
— Como você faz o seu trabalho?
Simone abaixou a cabeça e respondeu, cheia de culpa:
— Quando vim avisar, ela ainda estava na sala de espera. Só a vi correndo na direção da porta no exato momento em que o senhor a abriu... Sinto muito, Marcos.
Marcos respondeu:
— Por sorte era a Dália, alguém que conhecemos. Mas e se fosse alguém mal-intencionado? Já pensou nas consequências? O que eu sempre orientei?
Esfregando as mãos de nervoso, Simone respondeu com sinceridade:
— O senhor sempre disse que qualquer pessoa sem hora marcada deve aguardar no saguão do primeiro andar até segunda ordem, e que ninguém deve subir diretamente. Mas...
— Não tem mas, essas são as regras da empresa. Vá até a recepção agora mesmo e reforce isso com rigor. Que não se repita.
— Sim, Marcos.
Simone saiu apressada, enquanto Marcos retornava rapidamente à porta do escritório de Alípio.

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