Dentro do escritório de Alípio.
Dália estava parada diante da mesa de trabalho dele. Ela tirou um documento e o colocou à frente do chefe:
— Sr. Salazar, este é o projeto de criação do estúdio sobre o qual comentei no banquete daquela noite.
Alípio recostou-se na cadeira giratória, deu uma olhada rápida na pasta e disse com frieza:
— Entregue isso ao Marcos. Se o departamento comercial aprovar a viabilidade, faremos o investimento naturalmente. Pode ir.
O sorriso que adornava os lábios de Dália começou a desaparecer ao deparar-se com tamanha indiferença; seu semblante perdeu o brilho.
Mas ela não foi embora. Reunindo coragem, respondeu em tom suave:
— Sr. Salazar, naquela noite o senhor disse que eu poderia entregar o projeto diretamente em suas mãos. Foi por isso que tomei a liberdade de vir.
Ao notar que Alípio franziu o cenho, Dália apressou-se em acrescentar:
— Peço imensas desculpas por ter invadido a sala agora há pouco, agi por pura ansiedade. Concluí este projeto no dia seguinte ao evento, mas tentei agendar uma reunião com seus secretários várias vezes e não consegui. Por isso...
Enquanto isso, Alípio recordava-se brevemente daquela noite: Dália sentada no mesmo sofá que ele, inclinando-se para conversar.
Contudo, momentos antes daquilo, Marcos havia lhe informado que Ema também estava no banquete.
Naquela hora, ele não tinha cabeça para prestar atenção no que Dália dizia, muito menos para se lembrar do que havia concordado...
Refletindo sobre isso, o olhar de Alípio escureceu. Ele pegou o documento, folheou-o rapidamente e o jogou de volta sobre a mesa.
— Você mesma está satisfeita com essa proposta?
Dália ouviu a pergunta, mas ficou sem saber como responder.
Ela havia elaborado e revisado o plano diversas vezes; claro que o considerava excelente.
Todavia, ciente do rigor extremo do Grupo Salazar ao avaliar investimentos, não ousava ser presunçosa.
— Sr. Salazar... — Dália ia tentar resumir os pontos principais da sua proposta.
Mas foi cortada antes de terminar a frase:
— Seu projeto não possui um plano de expansão sólido. Toda a estrutura depende exclusivamente da sua fama atual no mundo da fotografia. Se você perdesse essa popularidade hoje, onde estaria o valor comercial disso?
Dália ficou sem palavras. Achou que ele não tivesse prestado atenção, mas a verdade é que ele captou a essência do problema num piscar de olhos.
Apesar de ganhar muito bem, ela não passava de uma fotógrafa freelancer sem raízes fixas.
Seu sonho sempre foi abrir um estúdio próprio que superasse a Casa de Luz e se tornasse referência no mercado. Só assim se sentiria realizada.
No entanto, construir uma estrutura desse porte sozinha era arriscado. Mesmo que investisse todas as suas economias, o sucesso não era garantido. Por isso queria o apoio financeiro do Grupo Salazar...
Mas Alípio parecia não se importar nem com a fama dela, nem com os contatos de sua tia. O fato de ela ser a fotógrafa mais requisitada do momento não significava nada para ele.
Enquanto Dália permanecia ali, paralisada e tensa, notou que Alípio se levantou da cadeira, indicando que estava de saída.

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