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Acusada de Traição, Volto com Três Filhos romance Capítulo 471

— Sra. Duarte, a senhora ouviu o que o Sr. Salazar disse agora a pouco. Ele até me lançou um olhar mortal enquanto falava. Se eu abrir a porta para a senhora, com o gênio que ele tem, vai cortar meu bônus, ou até me demitir...

Zenobia revirou os olhos para ele e ficou em silêncio. Não por ter sido convencida por Marcos, mas por achar que era inútil discutir com ele.

Enquanto isso, Alípio andou apressadamente até a entrada da mercearia, onde finalmente avistou Ema sentada em um pequeno banquinho ao lado da porta.

Ela estava escondida atrás das pilhas de mercadorias na entrada. Durante todo o caminho até ali, o coração de Alípio estava apertado de tanta angústia. Ver que ela estava fisicamente ali trouxe-lhe um imenso alívio.

Mas Ema parecia ter adormecido recostada no canto da parede, com os braços encolhidos, abraçando a si mesma com força.

Mesmo dormindo, era impossível esconder a profunda exaustão estampada em seu rosto.

O olhar de Alípio escureceu. Ele se abaixou lentamente na frente dela.

Assim que sua mão grande afastou os fios de cabelo bagunçados da testa dela, Ema franziu a testa e abriu os olhos.

A mulher à sua frente estava com os olhos injetados e levemente avermelhados, revelando um cansaço extremo e, até mesmo, um traço de medo no olhar.

Seus lábios ressecados tremeram levemente, como se quisesse dizer algo, mas nenhum som saiu.

Um dos braços de Alípio deslizou lentamente para as costas de Ema, envolvendo-a com firmeza, enquanto a outra mão segurava a dela. Com a voz rouca, ele sussurrou:

— Não tenha medo. — Enquanto falava, ele se inclinou e depositou um beijo suave em sua testa.

Ema pareceu finalmente voltar a si naquele momento. Ela franziu a testa, empurrou-o levemente e perguntou com a voz cansada:

— Onde está Zenobia? Como você veio parar aqui?

— Vamos, conversamos no carro. — Alípio a pegou no colo de imediato e caminhou em direção ao veículo.

No momento em que foi erguida, a visão de Ema girou de tontura. Ela apertou os lábios secos e disse com dificuldade:

— Me coloque no chão, eu consigo andar sozinha.

Alípio continuou andando a passos largos e respondeu:

— Marcos, traga água.

Após falar, ele começou a acomodar Ema no banco do carro, recomendando em um tom suave:

— Não faça muito esforço para falar agora, descanse. Vou te levar ao hospital.

Zenobia queria sentar no banco de trás para acompanhar Ema, mas Alípio já havia entrado.

Ela pensou em dar a volta para entrar pelo outro lado, mas Marcos, após entregar a garrafa de água para o interior do veículo, disse com um tom compreensivo:

— Sra. Duarte, acho melhor a senhora ir no banco da frente, não acha?

Seguindo o olhar de Marcos, Zenobia olhou para dentro do carro. Alípio mantinha Ema aninhada em seus braços, dando-lhe água com uma delicadeza ímpar.

E Ema, encolhida e sem forças, parecia estar em um estado ainda pior do que quando tentou falar alguns instantes antes.

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