— Chega!
Ema o interrompeu de forma áspera e o empurrou com força, baixando o olhar para o peito dele, que subia e descia rapidamente.
— Alípio, você já fez show demais! Por acaso se lembra do que eu te falei quando você me arrastou para o hospital e tentou tirar a vida dos meus bebês?!
Enquanto gritava a repreensão, Ema dava passos atordoados para trás, cega pelo pânico e pela dor.
— Ema, sobre isso, deixa eu explicar...
Alípio começou a dizer, mas, de repente, o pé de Ema escorregou no degrau e seu corpo despencou para trás.
— Cuidado!!!
Num piscar de olhos, Alípio agarrou o corrimão com uma das mãos, enlaçou a cintura fina dela com a outra, puxando-a firmemente para si. Com agilidade, saltou para o degrau logo abaixo de Ema, usando o próprio corpo como escudo para protegê-la.
O susto deixou Ema com um frio gelado se espalhando pela espinha. Quando os sentidos finalmente voltaram ao normal e ela percebeu que ambos estavam seguros nos degraus, exigiu:
— Me solta. — Tentou se desvencilhar, empurrando o peito de Alípio para sair do abraço.
No entanto, ao empurrá-lo, Alípio, que ainda fazia força para sustentá-la, perdeu o equilíbrio e escorregou.
A luz do sensor de movimento piscou fracamente, e Ema assistiu, horrorizada, enquanto ele rolava escada abaixo até bater no patamar do andar inferior. Depois disso, seu corpo ficou imóvel, sem se mexer.
— Alípio!!!
As mãos de Ema começaram a tremer, e sua voz vacilou de pavor.
Ela tirou os saltos depressa e voou escada abaixo. Ajoelhou-se desesperadamente ao lado dele e chamou, com a voz esganiçada:
— Alípio, você... acorda!
A luz de presença se apagou. No escuro, Ema fixou os olhos no rosto dele e teve a estranha impressão de que a posição em que ele estava não era exatamente a mesma de minutos antes.
No entanto, o pensamento passou rápido demais, e Ema concluiu que devia ser impressão sua, atordoada pelo pavor do momento...
— Sra. Pacheco! O que aconteceu com o Sr. Salazar?! — perguntou Marcos, descendo as escadas num ímpeto de ansiedade.
Ele se agachou imediatamente ao lado de Alípio e, com o rosto franzido de preocupação, colocou o dedo indicador perto das narinas do chefe para verificar a respiração.
Quando Marcos veio correndo para a escada, o som de seus sapatos no chão havia acionado as luzes outra vez. Contudo, elas logo se apagaram novamente.
No momento em que ele aproximou a mão do pescoço de Alípio para checar o pulso, seu corpo curvado acabou cobrindo parte do tronco do chefe. Foi então que, num ângulo completamente cego para Ema, Marcos sentiu claramente uma mão beliscando seu tornozelo.
Marcos ficou completamente sem palavras.

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