Dizendo isso, Alípio inclinou um pouco mais o corpo na direção de Ema:
— O vovô me disse que você queria muito se casar comigo, mas agora sinto uma hostilidade enorme da sua parte. Será que, nesses últimos anos, eu fiz alguma coisa para te magoar?
Ema: “......”
Bem naquele momento de silêncio, batidas urgentes na porta ecoaram.
Hortensia nem esperou Ema responder e já entrou correndo. Fez um rápido aceno de cabeça para Alípio e disse a Ema, aflita:
— Ema, tem alguém fazendo escândalo na recepção.
Ema franziu a testa e perguntou:
— Não se desespere. Quem é? E por qual motivo?
Ofegante, Hortensia explicou:
— É uma cliente que fechou contrato com a gente, a Sra. Ariadne Tavares, que estava fotografando hoje no estúdio três. Ela foi ao vestiário trocar de roupa e deixou a bolsa lá. Quando terminou as fotos e voltou para buscar, o relógio tinha sumido. Ela cismou que algum funcionário nosso roubou e estava armando um barraco na recepção. Eu tive que ter muito jogo de cintura para levá-la até a sala de reuniões.
Enquanto se levantava, Ema perguntou:
— Quem é a assistente responsável pelo estúdio três?
— A assistente do estúdio três é a Cássia Rabelo. Vou chamá-la. — Hortensia correu até a porta e puxou Cássia, que já aguardava ali fora.
Cássia estava com as mãos fortemente entrelaçadas, de cabeça baixa e com uma expressão de pura injustiça:
— Sra. Pacheco, eu não peguei o relógio da Sra. Ariadne Tavares. Eu valorizo muito este emprego, por favor, me ajude.
Dizendo isso, ela não conseguiu segurar os soluços baixinhos.
Ema foi até ela, levou-a para se sentar no sofá, entregou-lhe um lenço de papel e disse em tom suave:
Ema sorriu levemente e assentiu.
— Obrigada, muito obrigada, chefe. — Cássia fez uma reverência na mesma hora, agradecendo repetidas vezes.
— Pronto, pode ir.
Depois que Cássia saiu do escritório, Hortensia perguntou, confusa:
— Ema, você realmente acreditou nela assim, tão fácil? Eu acabei de conferir as câmeras de segurança, e a Sra. Tavares realmente estava usando um relógio no pulso quando chegou. Ela estava com um vestido sem bolsos e, agora há pouco, despejou tudo da bolsa na nossa frente, e realmente não havia relógio nenhum. Ela ficou uma fera... Aquela pilha de coisas que ela jogou ainda está na mesa de centro da recepção.
Ema fez uma pausa e respondeu com voz calma:
— Não se preocupe. Eu vou lá ouvir o que a Sra. Tavares tem a dizer.
Dito isso, Ema se levantou do sofá. Tinha dado apenas alguns passos quando Alípio, que até então permanecia em silêncio, também a seguiu.

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