— Não estou com febre, acho que é só o frescor da manhã. Vamos voltar — Ema forçou um leve sorriso e disse com doçura: — Me desculpa por ter feito você passar por tudo isso, Hortensia.
Hortensia acompanhou Ema em direção à saída, dizendo em tom despreocupado:
— Que isso, Ema? Foi um acidente. Eu estou ótima, daqui a pouco o remédio faz efeito e a dor some de vez. Vamos até a área de descanso, preparei algo para a gente beber antes de ir embora.
Ema assentiu e perguntou:
— Você viu o Marcos?
Hortensia apontou com o queixo.
— Olha lá, ele está na área de descanso dando algumas instruções para os seguranças.
Quando as duas chegaram à área de descanso, sentaram-se no lugar que Hortensia ocupava antes e, assim que comeram alguma coisa, Marcos se aproximou:
— Dona Ema.
Ema ergueu lentamente o rosto e perguntou com suavidade:
— Marcos, aconteceu alguma coisa?
Percebendo a hesitação no rosto de Marcos, Ema largou a colher e se levantou:
— Vamos conversar ali.
Marcos acompanhou os passos dela apressadamente. Os dois seguiram até um canto afastado da área de descanso.
— Pode falar, Marcos.
Marcos fez um aceno respeitoso com a cabeça e foi direto ao ponto:
— Dona Ema, a memória do Alípio voltou ontem. Na época, os médicos avaliaram o caso e explicaram que o impacto na cabeça havia causado um tipo de amnésia e que o tempo de recuperação do cérebro variava muito de acordo com o trauma de cada pessoa.
O olhar de Ema tornou-se mais afiado, tentando encontrar qualquer sinal de mentira na expressão de Marcos. Ela havia estudado um pouco sobre terapias naturais e o funcionamento do corpo humano, e já tinha ouvido falar em relatos de casos semelhantes.


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