Ema franziu o cenho, confusa:
— Com os crimes que ele cometeu por aqui, é certo que vai para a cadeia. Como você sabe que ele não vai tentar revidar?
Marcos ficou em silêncio por um momento antes de responder:
— Eu tenho meus métodos, Dona Ema. Não se preocupe, Alípio vai ficar bem.
Dito isso, Marcos apontou para fora e acrescentou:
— Já deixei um motorista à disposição no estacionamento. É melhor a senhora ir para casa descansar bastante. Aquele remédio não tem muitos efeitos colaterais, mas lembre-se de se hidratar bem.
Ema assentiu:
— Obrigada. Pode voltar aos seus afazeres. Se... se houver alguma novidade, poderia me avisar?
— É claro. Vá com cuidado. — Marcos fez um aceno respeitoso.
....................
No dia seguinte.
Ema não conseguia tirar o assunto da cabeça. Depois de passar algumas instruções do estúdio para Hortensia, ela dirigiu até o hospital onde Edson estava internado.
Ao chegar ao andar indicado, viu dois policiais de guarda na porta do quarto, enquanto a equipe médica entrava e saía de tempos em tempos.
Ema hesitou por um instante, mas caminhou em direção ao quarto. Ao chegar à porta, perguntou educadamente:
— Olá, policial. Eu gostaria de visitar o paciente que está aí dentro. É possível?
— No momento, apenas familiares têm permissão para entrar. Qual é o seu parentesco com ele? — Antes que o policial terminasse de falar, a porta do quarto foi aberta de supetão.
Parada na entrada estava a esposa de Edson, Cláudia Albuquerque.
Seu rosto estava pálido, os olhos avermelhados, inchados e fundos. Seus lábios estavam secos e quase sem cor.
O cabelo estava completamente desgrenhado, preso de qualquer jeito. À primeira vista, ela parecia doente e profundamente abalada, como alguém que havia sofrido um golpe devastador.


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