O rosto de Ema fechou na mesma hora. Ela se desvencilhou das mãos de Cláudia com força e retrucou com frieza e firmeza:
— Se estamos falando de destilar veneno, acho que ninguém aqui ganha de você. Você, mais do que ninguém, sabe muito bem o lixo de homem que tem em casa. Se eu fosse você, com ele nessa situação, aproveitaria para arrancar o couro dele, em vez de ficar aqui tentando jogar a culpa nas outras mulheres!
Ema disparou as palavras com impaciência, mas notou que os olhos de Cláudia estavam fixos em seu pescoço, sem qualquer intenção de rebater o ataque.
Pelo contrário, o olhar de Cláudia brilhou de repente, como se ela tivesse acabado de encontrar um tesouro escondido.
Confusa, Ema seguiu o olhar dela e olhou para o próprio peito. Em seu campo de visão, estava o pingente do colar.
Ao erguer os olhos novamente, percebeu que Cláudia estava, sem sombra de dúvida, encarando o pingente.
Ema franziu as sobrancelhas. Pelo que se lembrava do último desentendimento que tiveram na escola infantil, ela já sabia que Cláudia e Catarina se conheciam.
Catarina lhe dissera uma vez que Ema usava aquele colar desde que era bebê. Pela reação de Cláudia agora, ela parecia reconhecer a joia.
Mas como ela conheceria? Helena também tinha um colar igualzinho. Será que Cláudia conhecia Helena?
Enquanto a mente de Ema girava, Cláudia estreitou os olhos e perguntou:
— Ema é o seu nome, não é? Filha de Luís Pacheco e Catarina?
Ema manteve a postura de quem nunca a tinha visto antes e devolveu a pergunta:
— Você conhece os dois?
Cláudia deu um sorriso desdenhoso e soltou uma risada amarga:
— Muito mais do que conhecer. Ouvi dizer que aquela infeliz da Catarina ficou gravemente doente, definhando num hospital. Acabou sem dinheiro para pagar as despesas médicas e foi posta no olho da rua. Isso que eu chamo de carma!

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