Assim que Ema terminou de falar, Dália riu com vontade:
— A Sra. Pacheco diz que não leva jeito para socializar, mas fala tão bem e tem uma inteligência emocional muito acima da média. Ganha fácil de qualquer pessoa da minha equipe.
— A Sra. Sampaio é muito gentil. Acho que meus amigos já devem estar com sede, então não vou me demorar. — Ema se levantou devagar e acrescentou, em tom significativo: — Na vida, muita coisa a gente só consegue quando corre atrás. Ficar esperando não adianta. Até logo, Sra. Sampaio.
Dália observou Ema se afastando, com os olhos levemente semicerrados.
No passado, qualquer fotógrafo a tratava como se ela fosse realeza, enchendo-a de elogios vazios e bajulação.
Mas Ema mantinha uma postura impecável, sem arrogância e sem submissão.
Se não houvesse alguém poderoso por trás dela, de onde vinha tanta elegância e segurança?
Além disso, como uma fotógrafa desconhecida teria condições de abrir um estúdio tão grande? E, pelo que se comentava, conseguir um horário com ela já estava difícil.
Dália ficou pensando na última frase de Ema. No início, não tinha entendido, mas, juntando as peças, percebeu: Ema estava sugerindo que ela fosse atrás de Alípio?
Será que, de fato, não havia nada entre os dois?
....................
No dia seguinte.
As crianças já tinham ido para a escola.
Ema organizou o trabalho no estúdio e ligou para Marcos:
— Marcos, a questão com Edson já foi resolvida. Mas eles não querem o dinheiro.
Marcos se apressou em perguntar:
— Sra. Pacheco, o que isso quer dizer?
— Seja o Grupo Salazar ou os pais dele, nada disso me diz respeito. Marcos, você é inteligente. Não preciso te explicar como funciona a relação entre duas pessoas divorciadas, preciso?
— Não, Sra. Pacheco, mas eu ainda nem cheguei ao principal.
Por alguma razão, aquela frase fez o coração de Ema disparar. Ela prendeu a respiração e não o interrompeu mais.
Então Marcos continuou:
— Sra. Pacheco, o que vou dizer agora é só uma opinião minha. E, como a senhora sempre foi boa comigo no passado, estou lhe contando isso em caráter confidencial.
Ema segurava o celular em silêncio, enquanto ouvia a pequena pausa antes de a voz dele voltar:
— O avô do Sr. Salazar sempre o culpou pela forma como ele a tratou... O Diogo está num retiro nas montanhas, onde não pode usar celular nem nenhum aparelho eletrônico. Ele foi para lá antes da sua aparição pública na mídia, então ainda não sabe que a senhora voltou. Na cabeça dele, a senhora não tem culpa de nada. Mas ele deve descer da montanha muito em breve...
Ema franziu a testa, em silêncio. Sentia que Marcos tinha algo importante a dizer, e que aquilo dizia respeito diretamente a ela.

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