Logo, Ema ouviu Marcos continuar:
— Quando o Sr. Diogo voltar, como ele adora ficar no celular, com certeza verá as notícias sobre a senhora nas redes sociais e irá procurá-la. Além disso, o Sr. Diogo gosta muito do Trio Docinho. Se ele descobrir que as crianças são suas, e ainda por cima os pais do Sr. Salazar estiverem de volta... temo que tanto o Sr. Diogo quanto os pais da família Salazar venham atrás da senhora. Como o Sr. Salazar vai estar ocupado com os problemas do grupo, ele provavelmente não conseguirá cuidar dessas questões familiares por enquanto.
Ema ficou sem palavras. Aquilo era exatamente o que ela sempre temeu.
Se eles descobrissem sobre as crianças e o avô de Alípio — que sempre acreditou na inocência dela — resolvesse levá-las para fazer um teste de DNA...
Então... a família inteira certamente tentaria tirar seus filhos dela!
Os lábios de Ema se moveram, mas nenhum som saiu.
Mesmo sem ouvir resposta, Marcos pareceu sentir a apreensão dela do outro lado da linha e acrescentou imediatamente:
— Sra. Pacheco, embora eu trabalhe para o Sr. Salazar, vou respeitar qualquer decisão que a senhora tomar. Isso é só uma suposição minha, então não se preocupe antes da hora. Mas eu sugiro que a senhora não seja tão fria com ele daqui para frente. Se o que a senhora teme realmente acontecer, no fim a palavra decisiva ainda será a dele.
Marcos foi direto ao ponto e, dizendo que precisava voltar ao trabalho, encerrou a ligação.
Ema ficou sentada no escritório, atônita, por um longo tempo. Depois, abriu rapidamente as redes sociais e começou a procurar, freneticamente, para ver se havia alguma imagem dela com as crianças.
Procurou bastante e só encontrou imagens daquele dia em que ela e Givaldo saíram do aeroporto com os filhos. Mas, como ela estava muito bem agasalhada, provavelmente não seria reconhecida.
O que Ema não sabia era que, naquele momento, no escritório do Grupo Salazar...
Alípio exibia um leve sorriso enquanto tomava café com toda a calma do mundo.
Marcos estava em pé ao lado da mesa, com as sobrancelhas franzidas e uma expressão de impotência.
Não bastava Alípio fazer seus próprios jogos psicológicos, ainda tinha que arrastar Marcos para o meio daquilo.
Ainda assim, agir com estratégia era melhor do que recorrer à força bruta como antes. O único risco era assustar Ema a ponto de fazê-la fugir com as crianças de novo.
— Não.
....................
Sentada no escritório, Ema só ligou para Cláudia depois que conseguiu se acalmar um pouco.
As duas combinaram de se encontrar de novo numa cafeteria.
Cláudia parecia ainda mais abatida do que da última vez. Assim que viu Ema, segurou as mãos dela e perguntou:
— E então? O que o Alípio disse?
— Cláudia, primeiro senta. Vamos pedir alguma coisa para beber — disse Ema educadamente.
Cláudia se sentou devagar. Ver que Ema tinha ido ao encontro a fez pensar que a questão talvez tivesse solução, e isso a ajudou a controlar um pouco a ansiedade.

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