— Wilson? Olha quem veio te ver! — Patrícia chamou o menino com voz carinhosa.
A professora que estava ao lado da cama assentiu discretamente e saiu do quarto, enquanto o pequeno Wilson ergueu os olhos da pilha de brinquedos à sua frente.
Ele parecia ter uns cinco anos, mas seu rostinho não mostrava a magreza nem o aspecto debilitado que Ema tinha imaginado.
— Olá, senhor. — Wilson levantou-se com certa dificuldade e foi na direção de Alípio.
Alípio se agachou, puxou o menino para um abraço e perguntou com um sorriso leve:
— Por que você não quis comer nesses últimos dois dias? A comida não estava boa?
Wilson apenas balançou a cabeça, sem responder.
Com um olhar tímido e inquieto, ele fitou Alípio por um instante e depois olhou para Ema, que estava em pé ao lado.
Ao cruzar o olhar com o menino, Ema abriu um sorriso naturalmente meigo.
Ela se lembrou de que Érica também já tinha passado por uma fase de recusa alimentar — sem estar doente e sem ter perdido o apetite por causa de guloseimas.
Na época, Ema pesquisou muito, leu vários estudos de caso e, por fim, descobriu o motivo: Érica havia desenvolvido uma resistência por razões psicológicas.
Lembrando-se do que tinha estudado, o olhar de Ema foi atraído pelos brinquedos com que Wilson estava brincando.
Eram brinquedos de cozinha. No meio das miniaturas, havia de tudo: frutas, legumes, carnes...
Ema foi direto até eles, pegou a caixa vazia que estava ao lado e começou a guardar todas as peças dentro dela, como se fosse levá-las embora.
Wilson correu na mesma hora, abraçou a caixa de brinquedos e disse, aflito:
— Senhora, não leva. São os meus brinquedos preferidos.

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