Ema espiou por cima do ombro do segurança e viu Alípio encostado na parede, de maneira aparentemente relaxada, fumando um cigarro.
Ema: “......”
Ao ouvir o barulho, ele se virou devagar, lançou um olhar frio e cortante para o segurança, apagou o cigarro e o esmagou num lenço de papel que segurava na outra mão.
Em seguida, caminhou até Ema e falou em tom suave:
— As noites estão ficando mais frias. Volta logo para dentro.
Quando ele se aproximou, Ema sentiu cheiro de bebida e perguntou, confusa:
— Você... bebeu? O que está fazendo aqui?
Os olhos avermelhados de Alípio pousaram nela com ternura. Ele esboçou um leve sorriso e respondeu:
— Vi à noite as notícias sobre a loja de brinquedos. Fiquei com medo de você não conseguir dormir bem por causa disso, então vim ver como você estava. Mas receei bater na porta e você não abrir... Eu não estou bêbado.
Ema não soube o que dizer por um instante. Desviou o olhar para o segurança e disse com gentileza:
— Desculpe pelo incômodo. Está tudo bem agora. Pode voltar ao seu posto.
O segurança assentiu:
— Sim, Sra. Pacheco. Ainda bem que é alguém conhecido da senhora. Tenha uma boa noite.
O segurança saiu pela porta de emergência. Ema ainda ia dizer alguma coisa quando espirrou sem conseguir se conter.
Alípio imediatamente passou um braço pelos ombros dela e a conduziu para o corredor:
— O tempo esfriou bastante, e a diferença de temperatura entre aqui e lá dentro é grande. Volta logo para descansar. Fui eu que te incomodei, me desculpa.
Ema afastou discretamente a mão dele de seu ombro, sem conseguir identificar o que estava sentindo.
Ela nunca tinha se sentido tão valorizada por alguém. Nem mesmo o cuidado de Zenobia ou Samuel chegava àquele nível de atenção aos mínimos detalhes.
Será que ele realmente tinha mudado, ou era ela que estava confusa?
Quando chegaram à porta do apartamento, Ema encostou o polegar no sensor biométrico e a fechadura destravou.
Mas ela não ouviu os passos dele se afastando.
Enquanto ainda hesitava, a voz grave e rouca de Alípio soou bem atrás dela:

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