— Me dá isso aqui para eu dar uma olhada.
Fátima tirou o celular às pressas, abriu a conta na rede social e o entregou a Ema.
Ema passou por alguns vídeos e devolveu o aparelho:
— Você tem só pouco mais de mil seguidores, e as visualizações dos vídeos são péssimas. Esse formato para exibir o seu portfólio já está ultrapassado. Embora a sua técnica de fotografia seja impecável, quando as pessoas deslizam a tela e encontram o seu vídeo, ele passa despercebido, como se fosse só mais uma imagem qualquer.
Fátima logo perguntou:
— E que sugestão você me daria?
Ema a encarou de soslaio e retrucou suavemente:
— Nem tudo o que eu digo é garantia de sucesso. Você confia assim tão fácil?
Fátima assentiu rapidamente:
— Eu sei que, nestes últimos anos, você construiu a sua carreira com o próprio suor. E... depois de tudo o que passei com Helena, eu acredito no seu caráter.
— Hmph...
Ema soltou uma risada gélida.
— Então, muito obrigada pela consideração.
Vendo que Ema talvez ainda estivesse ressentida com o passado, Fátima baixou a cabeça, cheia de vergonha.
Instantes depois, Ema se levantou e disse:
— As minhas sugestões são apenas em troca das informações que você acabou de me passar. Se continuar conduzindo a sua conta dessa forma, não vai chegar a lugar nenhum. Você precisa tentar mudar o estilo. Por exemplo...
Ema explicou a Fátima algumas formas de criar conteúdo mesmo sem equipe, métodos para tornar os vídeos muito mais atrativos, e por fim acrescentou:
Depois de terminar as anotações, Ema se endireitou e chamou em tom suave:
— Fátima.
Fátima, que estava de cabeça baixa, perdida em pensamentos, ergueu o rosto ao ouvir o chamado. Mas, mal levantou o olhar, a mão de Ema aterrissou violentamente em seu rosto, com um estalo alto e seco.
Chocada, Fátima levou a mão à bochecha e encarou Ema, mas logo depois Ema lhe deu outro tapa no lado oposto do rosto, mantendo-se totalmente inexpressiva. Em seguida, esfregou a mão que estava formigando e declarou com despreocupação:
— Um tapa por toda a humilhação que você me fez passar, e outro para devolver o tapa que me deu naquela época. Você tem algo contra isso?
Segurando as bochechas ardendo, com lágrimas enchendo os olhos, Fátima balançou a cabeça em silêncio. Sem dizer mais uma palavra, ela permaneceu parada ali por alguns segundos e, por fim, deixou a sala.
Zuleika, que estava na porta, fulminou Fátima com o olhar e bufou irritada antes de entrar. Com o semblante contrariado, soltou:
— Eu escutei a conversa inteira lá de fora. Mas me diz uma coisa, Ema: por que você a ajudou? Com gente do nível dela, você devia ter arrancado tudo o que queria e chutado a infeliz porta afora, só para ela sentir na própria pele a maldade desse mundo.

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