Hortensia estava prestes a discutir com ela novamente, mas Ema se aproximou de seu ouvido e sussurrou:
— Vânia, não dê trela para elas. Vou tentar entender o que está acontecendo primeiro.
— Tá bom. — Hortensia concordou, assentindo. Em seguida, olhou para a mulher deitada no chão e advertiu: — Te dou três minutos. Se não a soltar agora, eu vou partir para a força!
Ema estava prestes a se abaixar para perguntar o que tinha acontecido quando, de repente, ouviu uma vendedora comentar:
— Gente, olhem bem para ela. Não é aquela mulher que apareceu nas fofocas da internet com o presidente do Grupo Salazar um tempo atrás?
Outra vendedora concordou na hora:
— Sim, é ela mesma! Eu tava me perguntando de onde conhecia esse rosto.
— Então você é a tal mulher cheia de plásticas, né?
— Ah, subindo na vida às custas de homem rico? Essas roupas de grife e essa bolsa de marca devem ter sido pagas pelo presidente do Grupo Salazar, não é?
— Então não é nenhuma surpresa que você tenha amizade com uma ladra.
— ......
O grupo de vendedoras continuou tagarelando sem parar, mas Ema não tinha a menor intenção de dar atenção a elas. Seus pensamentos estavam focados apenas no que a mulher dissera antes: “Eu tenho algo muito importante para lhe contar”.
Ignorando completamente as pessoas ao redor, Ema se abaixou e perguntou em um tom calmo:
— Você me conhece? O que quer me dizer?
A mulher olhou para Ema por um instante, secou as lágrimas e implorou:
— Se a senhora pagar os lenços para mim, eu lhe conto.
Hortensia também se abaixou ao lado de Ema e disse impacientemente:
— Então é chantagem, é? Se mandaram você falar, então fala logo. Se continuar enrolando, vou mandar você direto para a delegacia agora mesmo.
Mas a mulher não disse mais nenhuma palavra. Apenas permaneceu agarrada às pernas de Ema, sem se mover.
Ema começou a achar que ela estava fazendo suspense. Talvez a mulher apenas a conhecesse de vista e estivesse usando aquela oportunidade para se agarrar nela e fazê-la pagar a conta, evitando assim que as vendedoras chamassem a polícia.
Hortensia, percebendo que Ema ia pagar a conta dela, impediu-a imediatamente:
— Ema, eu pago as minhas coisas.
— Faz esse favor e não discute comigo. — Ema usou o braço para bloquear Hortensia e escaneou o QR Code do PIX sem hesitar. Após o pagamento, olhou para baixo, para a mulher aos seus pés, que ainda continuava grudada nela como um polvo, recusando-se a largar.
Como as vendedoras também não tomaram nenhuma atitude para chamar a polícia, Ema pensou que talvez elas temessem a repercussão negativa. Então se dirigiu à mulher em tom frio:
— Sempre há seguranças e policiais circulando perto do shopping, e eles vão chegar em breve. Se você me soltar agora, pelo menos vai responder por uma acusação a menos.
A mulher continuou imóvel. Ema hesitou por um segundo e, novamente, inclinou-se para tentar desprender as mãos dela. Vendo a situação, Hortensia também perdeu a paciência: começou a dar tapas na mulher enquanto puxava os braços dela.
A mulher provavelmente já estava sem forças. Vendo que suas mãos estavam prestes a ser arrancadas das pernas de Ema, gritou desesperada:
— Foi você quem me mandou roubar! Foi você!
Ema: “......”
Hortensia também ficou perplexa. Como podia existir um tipo de pessoa assim?!

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