Enquanto sofria com aquela angústia no peito, uma ligação de Alípio apareceu na tela.
Com os dedos trêmulos pairando sobre o celular, Ema não teve coragem de atender. Tinha medo de que ele estivesse ligando para reivindicar as crianças ou para avisá-la de que se encontrariam no tribunal.
O celular tocou até a chamada cair sozinha. Em seguida, tocou de novo, e Ema continuou sem atender.
Depois que a ligação caiu mais uma vez, ela recebeu uma mensagem:
— Ema, abre a porta. Estou aqui na frente da sua casa.
O coração de Ema deu um solavanco. Será que ele tinha vindo diretamente para tomar as crianças?
Ela respondeu à mensagem às pressas:
— Não estou em casa.
Assim que a mensagem foi enviada, a campainha tocou. Ema andava de um lado para o outro, nervosa, e já podia ouvir a governanta passando apressada em direção à porta.
As crianças! As crianças estavam na sala de brinquedos...
Ema abriu a porta às pressas e correu para a brinquedoteca. Assim que entrou, trancou a porta por dentro.
E toda essa cena foi vista por Alípio, que estava justamente entrando na casa.
Alípio reconheceu que aquele era o cômodo das crianças e, pelos passos desesperados dela, conseguiu deduzir boa parte da situação.
Ele suspirou e disse a Selena:
— Diga à Sra. Pacheco que estou esperando por ela no escritório.
— Certo. — Selena respondeu, indo bater à porta. Depois de transmitir o recado, Ema finalmente saiu de lá.
Ela hesitou por um momento antes de caminhar em direção ao escritório.
A porta não estava fechada, e Alípio já se encontrava sentado no sofá.
Dito isso, as mãos dele apertaram os ombros dela um pouco mais:
— Ema, eu te entendi mal no passado. Embora eu tenha sido influenciado por fatores externos, no fim das contas fui eu quem te machucou e quem não te deu a confiança que você merecia. Tudo isso foi culpa minha. Vamos recomeçar, por favor?
Ema não respondeu. Tudo aquilo parecia um sonho. Por mais voltas que a vida desse, ela sempre acabava se envolvendo com ele.
Nesse momento, Alípio voltou a falar:
— Amanhã à noite, que tal organizarmos um jantar em família? Meu avô está com muita saudade de você...
Ema olhou nos olhos dele, analisando aquelas palavras. Pelo visto, Diogo tinha voltado e com certeza já sabia de tudo. E pensar que, mais cedo, ela não tinha atendido à ligação de Glória...
Ema ligou todos esses fatos na cabeça. Depois de um instante, livrou-se lentamente das mãos dele e disse friamente:
— Foram eles... Seu avô, seu pai e sua mãe querem as crianças, por isso você veio correndo me dizer tudo isso, não foi?

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