Três dias depois.
Samuel foi para o exterior.
Antes de partir, não deixou que Zenóbia e Ema fossem ao aeroporto se despedir.
No entanto, mandou para Ema um e-mail com vários arquivos anexados.
Depois de ler, Ema percebeu que se tratava de uma espécie de “guia para mudança de país”.
Ali havia informações detalhadas sobre burocracia, escolha de cidade, moradia e orientações práticas para o dia a dia. Também constava o ponto mais importante: os requisitos para conseguir residência permanente.
Talvez ela pudesse levar as crianças primeiro e resolver a parte da residência depois.
Ema achou estranho. Naquele dia, ela não tinha comentado com Samuel sobre ir para o exterior. Como ele sabia das intenções dela?
De todo modo, aquilo poupava Ema de muita dor de cabeça.
Ela imprimiu os documentos e começou a lê-los com cuidado, começando pelos procedimentos burocráticos. Depois de pensar bastante, decidiu visitar antes alguns dos lugares recomendados no guia para avaliar tudo pessoalmente.
Pensando assim, Ema não hesitou em comprar as passagens.
Depois de emitir as passagens, ligou para Givaldo:
— Givaldo, preciso te pedir um favor.
Do outro lado da linha, Givaldo a repreendeu com carinho:
— Ema, para que tanta formalidade comigo? Mesmo se eu estivesse ocupado, você continuaria sendo a minha prioridade.
Sabendo do quanto Givaldo gostava dela, Ema sorriu:
— Tá bom, tá bom. Givaldo, amanhã eu vou para os Estados Unidos ver uma exposição de fotografia. Não fico tranquila deixando as duas senhoras sozinhas em casa com as três crianças...
Givaldo a interrompeu na hora:
— Pode deixar comigo. Nesses dias, eu fico na sua casa. Levo e busco eles. Fica tranquila.
Ema respondeu com gentileza:
— Obrigada, Givaldo. Sabendo que você vai cuidar deles, eu fico em paz.
Ele não mencionou que os avós tinham sido internados, nem que Amanda havia voltado para a família Amorim.
Provavelmente, Givaldo temia que ela ficasse preocupada à toa.
Logo em seguida, ele perguntou:
Ema enxugou a lágrima no canto do olho, forçou um sorriso e respondeu:
— Não é nada. Talvez eu só esteja emocionada por ter reencontrado a minha família. Estou tão feliz que acabo chorando com frequência.
Hortênsia assentiu, mas a expressão que tinha visto ao entrar claramente não parecia de lágrimas de felicidade.
Era evidente, porém, que Ema não queria falar sobre aquilo, então Hortênsia teve o bom senso de não insistir.
Em seguida, Ema recuperou a compostura e disse:
— Hortênsia, amanhã vou para os Estados Unidos e devo voltar em uns quatro dias. Durante esse tempo, fica de olho no estúdio. Se precisar de alguma coisa, pode procurar o meu irmão.
— Tudo bem, Ema — disse Hortênsia, franzindo a testa. — Mas o que você vai fazer lá?
Ema respondeu de forma breve:
— Visitar uma colega.
Hortênsia disse, preocupada:
— Ema, é muito longe. O voo leva umas dez horas, né? Ir e voltar em quatro dias vai ser puxado demais.

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