Nesse momento, Marcos ligou dizendo que as equipes de resgate de todos os setores já tinham chegado ao local, estavam discutindo os planos de ação e pediam a confirmação da localização de Alípio.
Depois da ligação rápida, ele desligou às pressas.
Naquele breu absoluto, só se ouvia a respiração pesada dos dois.
Deslizando a mão pela superfície do banco, Alípio encontrou a mão de Ema e a apertou com firmeza.
Ela perguntou, ainda um pouco desconfortável:
— Por que... por que você estava aqui?
Alípio acariciou a mão dela e respondeu com franqueza:
— Eu queria ir pro Vale Tropical atrás de você, então acabei te seguindo.
Na verdade, Alípio ainda quis dizer: “Eu te liguei antes de você entrar no túnel. Se tivesse atendido, nada disso teria acontecido. Foi porque fiquei com medo de algo acontecer com você que criei coragem e entrei atrás.”
Mas desistiu e, em vez disso, disse:
— Eu vi fumaça lá na frente. Como não sabia o que estava acontecendo, acelerei até emparelhar com o seu carro pra te avisar.
Ema não conseguia ver o rosto dele, mas percebeu que a palma da mão dele estava suada. Pensando em tudo o que havia acontecido, disse com tristeza:
— Se não fosse por minha causa, você não estaria passando por esse pesadelo...
Ao ouvir aquilo, Alípio sentiu alívio por não ter falado o que realmente pensou antes. Caso contrário, ela ficaria ainda mais tomada pela culpa.
— Ema, mesmo sabendo que isso ia acontecer, eu teria ido atrás de você do mesmo jeito. Eu não ia deixar você passar por esse medo sozinha. — A voz grave de Alípio ecoou na escuridão.
O coração de Ema estava um caos. Não era a primeira vez que ele a salvava, que ele a protegia...
— Ema... — O chamado soou muito perto, muito baixo.
As costas de Ema se retesaram, e ela instintivamente inclinou o corpo para o lado oposto.
Mas o braço dele passou de repente pela cintura dela e, no instante seguinte, ela foi puxada de volta para seus braços.
Antes que Ema pudesse reagir, os lábios dele encontraram os dela.
O vento forte levantava poeira por toda parte e dificultava a visão.
Os braços dos grandes guindastes se erguiam no ar como se desafiassem o desastre.
Os socorristas, com uniformes laranja chamativos e capacetes, corriam de um lado para o outro em meio à poeira suspensa.
Os rostos mostravam determinação e urgência, e os olhares tensos permaneciam cravados na entrada soterrada do túnel.
Engenheiros seguravam plantas e mapas, discutindo em voz alta as estratégias de resgate; o suor escorria por seus rostos, mas ninguém tinha tempo sequer de limpá-lo.
Paramédicos também estavam em alerta máximo, com macas e equipamentos de emergência alinhados, prontos para atender qualquer sobrevivente retirado a qualquer momento.
O barulho das máquinas de escavação era ensurdecedor. Pás carregadeiras e escavadeiras trabalhavam sem parar, removendo terra e pedras. Cada movimento fazia o coração de todos apertar.
Bombeiros, carregando equipamentos pesados, subiam com agilidade a encosta íngreme dos escombros, procurando qualquer sinal de vida.
Voluntários também começaram a chegar para ajudar: alguns levavam suprimentos, outros distribuíam água e comida aos socorristas. Todos trabalhavam juntos, com um único objetivo — salvar as vítimas presas o mais rápido possível.

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