Na mansão afastada da cidade.
Natália e Helena já haviam esperado uma eternidade, mas não havia sinal de que Benício fosse retornar.
Natália andava de um lado para o outro na sala, a testa franzida, os olhos tomados por uma ansiedade corrosiva:
— O que a gente faz agora? — Ela não conseguiu segurar a voz alta. — Já estamos esperando há horas e nada dele voltar. Será que deu alguma coisa errada no leilão? O celular do Benício também está desligado. Já perdi a conta de quantas vezes eu liguei e só cai na caixa postal.
Sentada no sofá, Helena também exibia uma expressão perplexa. Com as sobrancelhas arqueadas e o olhar fixo no chão, ela parecia perdida nos próprios pensamentos.
— Eu também estou achando tudo muito esquisito. — Ela murmurou suavemente.
Mesmo se tudo tivesse sido uma armadilha de Alípio, não fazia o menor sentido o telefone estar incomunicável.
Do lado de fora, o céu começou a escurecer rapidamente, e o véu da noite envolveu o terreno.
O vento uivava entre as árvores, criando um farfalhar constante que tornava a atmosfera ainda mais sombria e opressiva.
O estado de espírito de Natália acompanhava a escuridão lá fora: a cada minuto, o seu coração pesava mais, afogado em angústia.
Na realidade, ela não estava preocupada com o bem-estar de Benício, a sua aflição era estritamente sobre o seu próprio pescoço.
Se o leilão fracassasse, isso significava a ruína de Benício e, consequentemente, a destruição de todas as esperanças de Natália.
Já Helena não dava a mínima para a situação. Na cabeça dela, era bem provável que Benício já estivesse sob o domínio de Alípio.
Ela... no fim das contas, torcia exatamente para a derrota de Benício naquele leilão.
Bem naquele instante, o silêncio tenso foi dilacerado pelo toque estridente de um celular.
O coração de Natália disparou, e ela lançou o olhar instintivamente para a tela. Não era Benício, quem estava ligando era o próprio Alípio!
Natália lançou um olhar desconfiado de rabo de olho para Helena e correu para o andar de cima antes de atender. Com a voz mais doce que conseguiu forçar, ela disse:
— Alípio? A essa hora da noite... O que te fez lembrar de me ligar?
Do outro lado da linha, o tom de Alípio era de uma calma absoluta, desprovido de qualquer pista sobre as suas emoções:

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