Ema lançou um olhar rápido para a repentina fragilidade da senhora. Franzindo a testa, decidiu ser compreensiva e ofereceu consolo:
— Tente aguentar mais um pouco. — A voz de Ema soou bem mais dócil. — Assim que a pele esfriar, a dor vai diminuir. Na caixa de primeiros socorros tem uma pomada maravilhosa, feita com uma fórmula especial de extratos de plantas que um velho especialista em terapias naturais me ensinou a usar. Passando ela, a pele recupera rápido e não vai ficar nenhuma marca.
Fazendo manha, Glória reclamou:
— Mas está ardendo, ardendo muito!
Ema conteve um suspiro:
— ...
Por um instante, Ema achou que estava delirando. Seria possível que Glória estivesse fazendo manha para ela?
Segurando delicadamente o braço da mulher mais velha, Ema hesitou por um segundo. Então, assim como fazia quando os filhos esfolavam os joelhos, começou a soprar a pele machucada de Glória com toda a ternura.
Não demorou para Isabel aparecer apressada, trazendo o kit de primeiros socorros.
— Isabel, por favor, pegue aquela toalha que colocamos no congelador — pediu Ema, calmamente.
Com a toalha em mãos, Ema a amassou um pouco. O tempo de resfriamento havia sido perfeito, deixando o tecido com a temperatura ideal. Ela desdobrou o pano e o ajeitou suavemente sobre o braço de Glória, enquanto a água continuava a correr.
Glória soltou um longo suspiro de alívio:
— Ah, agora está bem melhor...
Após meia hora sob a água, a pomada cicatrizante foi aplicada. Exatamente nesse momento, Alípio entrou pela porta, ofegante.
— Mãe! Onde foi a queimadura? Deixa eu ver! — Ele se aproximou em passos largos, o tom carregado de aflição.
Com um sorriso tranquilo, Glória respondeu:
— Alípio, não se preocupe, eu estou bem. A Ema cuidou de mim direitinho, já não dói quase nada.
Enquanto falava, ela lançou um olhar significativo para o filho, indicando sutilmente que ele deveria ir até a cozinha procurar por Ema.
Ele examinou o braço da mãe mais uma vez, confirmando que a situação não era tão catastrófica quanto Érica havia pintado. Fez um carinho rápido na cabeça das crianças e marchou em direção à cozinha.
Ema, que estava organizando a caixa de remédios, foi pega de surpresa ao vê-lo entrar.
— Você... O que está fazendo aqui?


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