Com o ruído do exaustor, Ema não fazia ideia de que Alípio estava encostado na porta, observando-a cozinhar muito feliz.
Apenas quando a viu pegar a tigela grande de sopa para servir é que ele correu na ponta dos pés de volta para a cadeira, fingindo estar ali o tempo todo.
Segundos depois, uma cumbuca fumegante de macarrão, mergulhado em um caldo avermelhado com ovos e verduras reluzentes, foi colocada diante dele.
Ao sentir o aroma delicioso e nostálgico, Alípio teve os olhos marejados de lágrimas. Aquilo não era apenas uma refeição; era um pedaço do calor humano de Ema que lhe havia sido negado por tanto tempo.
— Coma antes que esfrie — Ema instruiu, a voz desprovida de qualquer emoção.
Ela fez menção de virar as costas para voltar ao quarto, mas Alípio segurou-a pelo pulso com firmeza repentina:
— Sente-se. Eu preciso conversar com você.
Ema congelou. Puxando o braço com sutileza para se desvencilhar, puxou uma cadeira e sentou-se devagar.
Satisfeito por ela ter ficado, ele pegou os talheres e levou a primeira garfada à boca. A textura firme da massa, banhada na acidez doce do tomate e no umami reconfortante do ovo frito, contrastando com o frescor das folhas verdes, provocou uma explosão de sentidos em seu paladar.
O primeiro gole de caldo trouxe ao seu rosto uma satisfação pura e genuína.
— Obrigado. Está delicioso, exatamente como eu me lembrava — ele murmurou. Para os ouvidos atentos de Ema, a voz dele carregava uma nota embargada.
Ela não respondeu; limitou-se a observá-lo limpar o prato.
Alípio comeu com uma reverência ímpar, como se estivesse saboreando o manjar mais raro do planeta.
Ao terminar, pousou os talheres e focou o olhar em brasa no rosto de Ema.
— Fazia muitos anos que eu não comia algo tão maravilhoso. — A franqueza transbordava de cada sílaba.
Ema abaixou os olhos, retrucando com frieza:

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