O vento ergueu a ponta da gravata que vendava os olhos de Kylen.
Alícia ficou fitando a gravata tremular no ar, enquanto seu coração saltava apreensivo no peito.
Durante a sua vez, não sentira tanta pressão. Contudo, com Kylen prestes a dar seus últimos cinco tiros, ela instintivamente prendeu a respiração.
Assim que Kylen fez menção de levantar a mão, Alícia deu um pulo da cadeira.
No fim, ele apenas trocou lentamente a arma para a mão esquerda.
Alícia congelou por um momento, só então se lembrando de que Kylen era ambidestro. Mas como ele usava a mão direita para quase tudo no dia a dia, ela havia se esquecido desse detalhe.
Ao escutar a agitação e a respiração de Alícia se acelerando após ser contida, Kylen curvou os lábios.
No instante em que estava para puxar o gatilho, ele limpou a garganta, causando um tremor no próprio pulso.
*Bang!*
O coração de Alícia veio à boca, até que ouviu a voz mecânica masculina vinda do placar eletrônico: nove.
Ela primeiro suspirou aliviada, mas logo suas sobrancelhas se franziram.
A diferença era de apenas oito pontos agora, e restavam quatro tiros.
Justamente na fração de segundo em que Kylen atirou novamente, uma gaivota atravessou o estande em pleno voo.
*Bang!*
Um!
O coração de Alícia pulou descompassado. Faltavam três tiros, a diferença era de sete pontos.
No silêncio do estande, Kylen pôde ouvir o ruído de atrito na areia e no cascalho não muito longe.
Quando ele puxou o gatilho, misteriosamente, uma pedrinha voou e atingiu o dorso de sua mão.
*Bang!*
Quatro.
Outra pedra atingiu sua mão.
*Bang!*
Dois.
Esta última era visivelmente maior que a anterior e chegou a esfolar a pele de Kylen.
Restava apenas um tiro. A diferença entre eles era de um ponto.
Com uma expressão séria, Alícia pesou na mão uma pedra do tamanho de um ovo de ganso.
O corpo do homem paralisou e todos os seus músculos ficaram rígidos.
*Bang!*
O tiro errou completamente o alvo.
Alícia recolheu os braços abruptamente e escutou a voz mecânica do visor eletrônico anunciar a pontuação de Kylen: cento e sessenta e seis.
— Aceite a sua derrota. — Alícia disse sem mudar a expressão.
Kylen atirou a arma e arrancou a gravata que lhe cobria os olhos.
Virou-se para a mulher, que sequer estava corada ou ofegante. Ele avançou num único passo, agarrou os quadris de Alícia e a içou do chão, prendendo-a contra si com uma mão e pressionando a outra firmemente nas costas dela para impedi-la de escapar.
— Me solte!
Mesclando raiva e nervosismo, o peito de Alícia arfava intensamente, fazendo com que o decote farto da roupa parecesse prestes a estourar.
Kylen abaixou o olhar rapidamente, sentindo como se um incêndio tomasse conta de sua garganta.
— Você venceu. — Ele ergueu os olhos de volta para os dela, e a voz rouca e gutural soou amargamente.
Alícia sabia que havia ganho de forma desonesta... Tudo bem, até demais para falar a verdade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus, Meu Ontem!
Não tem mais capítulos???...