— Me solta!
Seus olhos transbordavam repulsa e aversão, uma rejeição que ia do físico ao psicológico.
Os braços de Kylen estavam tensos, apertando-a firmemente contra o peito, enquanto ele afundava o rosto no peito dela, ofegante.
— Qual recompensa você quer?
— Me larga! — esbravejou Alícia.
De repente, o homem aninhado nela soltou um riso contido:
— Essa recompensa serve.
Ele fez menção de soltá-la, mas Alícia protestou, indignada:
— Kylen, você está jogando sujo comigo, é isso?
O sol começava a se pôr, derramando uma luz alaranjada que viajava pela linha do horizonte até banhar o solo da ilha, enquanto nuvens coloridas adornavam o céu.
Kylen ergueu o rosto bonito, que parecia agora banhado em âmbar.
Ele a colocou no chão, fitando-a com seus olhos negros e profundos:
— O que você quer?
Alícia não hesitou, como se já tivesse decidido muito antes da competição.
Ela pronunciou cada palavra com extrema clareza:
— Quero a vida miserável da Yolanda.
O sol desapareceu completamente, e a brisa do mar tornou-se ligeiramente gélida.
— Eu disse, uma recompensa razoável. — Kylen estava de costas para o último vestígio de luz, as feições de seu rosto marcadas por sombras que ocultavam o seu olhar.
No entanto, Alícia captou a frieza em seu tom de voz.
Portanto, o que ele havia dito antes da disputa, fazendo-a acreditar que era mais importante do que Yolanda, não passava de uma ilusão.
Felizmente, ela não havia levado aquilo a sério.
Era apenas uma aposta. Se ganhasse, poderia acabar com a vida de Yolanda, se perdesse, recuaria do pedido que Kylen jamais aceitaria e exigiria outra coisa no lugar.
Sentindo uma leve pontada no coração, Alícia respondeu com aparente indiferença:
— Quando eu decidir, te aviso.
— Vou jantar.
Ela se virou e caminhou em direção ao casarão, os passos tornando-se cada vez mais rápidos e apressados.
O ambiente exalava um suave aroma floral. Era um óleo essencial que Kylen mandara preparar, ajudava a dormir e não tinha efeitos colaterais.
Alícia já dormia profundamente e não ouviu o som da água correndo no banheiro.
Não se sabe quanto tempo depois, a ponta do cobertor foi levantada.
Kylen deitou-se, estendeu a mão e virou Alícia, que dormia de lado, para observá-la sob a luz da lua.
Seus olhos percorreram as sobrancelhas dela, as pálpebras fechadas, o nariz pequeno e delicado, até chegarem aos lábios levemente inchados.
O olhar profundo traçava os contornos do rosto dela repetidas vezes.
O mundo inteiro estava silencioso.
Tão silencioso que parecia existir apenas os dois naquele universo, sem mais ninguém, sem mais nada.
As mãos tensas de Kylen finalmente a abraçaram com força, aconchegando o rosto dela na curva do seu pescoço.
No segundo seguinte, ele ouviu a mulher em seus braços murmurar durante o sono:
— Pequena Meia-Lua.
Seus braços enrijeceram levemente.
Era o nome que ela havia dado ao lago em forma de meia-lua da ilha, muito tempo atrás.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus, Meu Ontem!
Não tem mais capítulos???...