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Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 445

Ela abaixou a cabeça e enxugou os olhos com força, só então percebendo que a comida na mesa estava intocada.

— Você levou um bolo? — Ela ergueu os olhos bruscamente para encará-lo, dando-se conta de que ele não estava em um encontro. Os cantos de seus lábios ameaçaram formar um sorriso enquanto ela prendia a respiração, aguardando a resposta.

Kylen abaixou o olhar para os olhos vermelhos dela, que brilhavam como estrelas. Parecia haver um incêndio dentro dos olhos dele, como se algo estivesse sendo reduzido a cinzas. Suas pupilas se contraíram, e nas profundezas de suas íris escuras acumulava-se uma sombra de obsessão.

Ele a puxou bruscamente para seus braços.

Através da roupa, as mãos grandes e firmes dele queimavam contra as costas dela. A voz rouca escapou junto com o movimento de seu pomo de adão: — Não mude de assunto tão rápido. Repita o que você acabou de dizer.

As chamas intensas no fundo daqueles olhos escuros fizeram a alma dela estremecer, e sua mente pareceu explodir como fogos de artifício.

Ela ouviu as vozes dos dois ecoarem pelo restaurante vazio:

— Kylen, vamos ficar juntos, sim?

— Alícia, vamos ficar juntos.

— Plim.

Uma pedra caiu na água, criando pequenas ondulações. As figuras dela e de Kylen balançaram com as ondas e desapareceram.

Às margens do lago em formato de meia-lua, o vento levantava seus cabelos, bloqueando sua visão. Ela se abaixou para colher uma pequena flor azul-arroxeada, com um caule verde e flexível, na intenção de prender os cabelos para trás.

Mas foi Kylen quem pegou a flor. Envolvendo-a em seus braços, as mesmas mãos acostumadas a empunhar armas e canetas seguraram os longos cabelos dela, em um movimento levemente desajeitado.

— É assim que se prende?

— Você é muito desajeitado. Seu castigo será arrumar meu cabelo todos os dias.

As mãos grandes seguraram o rosto dela. Ele disse algo com um sorriso que a fez corar de pura indignação, atirando-se sobre ele no meio das flores para mordê-lo.

— Você é um cachorrinho? — A mão de Kylen apertou suavemente o queixo dela. O olhar dele estava cheio de riso enquanto beijava seus lábios.

Um trecho das flores foi esmagado sob eles, e ambos ficaram cobertos de pétalas.

Sob o luar, a brisa suave acariciava o mar de flores. Os dedos quentes dele roçaram levemente seu rosto.

— Alícia.

— Tem coragem de se casar comigo?

— Uma vida por outra. Se vocês morrerem, ela pode viver.

O jovem se virou. A névoa que bloqueava sua visão se dissipou, e o rosto que sempre fora turvo em seus sonhos passados tornou-se nítido.

Era exatamente a mesma feição do garoto que ela vira no corredor naquele ano, enquanto era conduzida pela mão por um empregado.

— Jovem mestre, a senhora disse que a filha da Família Serra morará na Mansão Lourenço a partir de agora.

— Contanto que ela não me irrite, tudo bem.

Um zumbido ensurdecedor preencheu seus ouvidos. No instante em que o sangue correu de volta ao seu coração, ela vomitou sangue.

Por que...

Sob uma tempestade e estrondos de trovão, ela correu para fora da casa, mas seu pulso foi agarrado bruscamente.

— Alícia!

Ela olhou para trás. O rosto do jovem e o do homem se sobrepunham. Do passado ao presente, ela havia sido tão tola por mais de uma década.

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