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Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 446

— Por que você forçou meus pais à morte? Me diga, Kylen, me diga!

— Eles eram as pessoas que eu mais amava, e foi você quem os matou!

O rosto do homem parecia ter sido desbotado pela chuva, completamente sem cor, exalando um frio cortante. Seus lábios finos se moveram.

— Tiveram o que mereciam.

As poucas palavras desprovidas de calor caíram como um raio em seu coração.

Ela recuou, cambaleante. Abriu a boca para dizer algo, mas as intensas oscilações emocionais a sufocavam, escurecendo sua visão. Apenas o broche de safira em seu peito brilhava com um resplendor radiante.

Era uma safira raríssima que Kylen havia arrematado em um leilão. Durante duas semanas, todos os dias, enquanto ela dormia, ele a polira e moldara meticulosamente à mão.

O patriarca do Grupo Lourenço, com seus milhares de afazeres diários, havia chegado a esse ponto por ela.

Um pedido de casamento no mar de flores. Que ironia absoluta!

A última quinzena parecia ter sido um sonho ilusório. O homem com quem ela ia se casar era, na verdade, o responsável por levar seus pais à morte.

Ela arrancou o broche e atirou-o no Lago Luna sem um pingo de hesitação. A chuva açoitava seu corpo que não parava de tremer.

— Como você foi capaz de agir como se nada tivesse acontecido?!

— Kylen, você é aterrorizante!

As memórias que ela havia esquecido começaram a girar em sua mente como um carrossel de horrores.

Cada imagem transbordava a dor de seu desespero. Aqueles gritos de partir o coração eram carregados pelo vento, soando como gemidos engasgados com sangue.

— Eu jamais me casaria com você, a menos que eu morra.

— Cada minuto do meu passado me faz arrepender de ter te conhecido. Eu nunca deveria ter conhecido você, nunca deveria ter te amado!

— Por que você não me leva à morte também?!

Dói tanto...

Assim que o médico se virou, Vinicius se pronunciou: — Diga ao Diretor Lourenço que a esposa dele o está esperando.

A chuva na Cidade Linvar não dava trégua.

No outro extremo do corredor da emergência, as portas do elevador se abriram e o Sr. Batista saiu apressadamente.

— Como ele está?

Chovia lá fora. Ele não havia sequer esperado o guarda-costas estacionar o carro na garagem; simplesmente abriu a porta e desceu, correndo até a emergência.

Ao ver Vinicius e Enrique parados ali, estáticos, seu coração afundou. Seu rosto perdeu a cor antes mesmo de ele conseguir falar.

Vinicius ergueu o olhar, notando os cabelos molhados do Sr. Batista, e balançou a cabeça em silêncio.

Seus próprios ferimentos tinham acabado de ser tratados. Ainda sem vestir o paletó, ele usava apenas uma camisa preta de mangas curtas enquanto aguardava em frente à sala de reanimação.

— E a senhorita? — O rosto do Sr. Batista estava sombrio. Ele pegou o lenço oferecido pelo guarda-costas, apertando-o com os dedos trêmulos. Parecia tão em pânico que mal conseguia se manter em pé.

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