Henrique murmurou em voz baixa:
— O que você está pensando?
Carolina forçou um sorriso frágil.
— O que eu poderia estar pensando?
— Se você não sente nada, por que se importou tanto com a possibilidade de eu entender errado aquela história com o Marcelo? E por que fez questão de me mandar o vídeo original para provar que era inocente?
O coração de Carolina disparou na mesma hora.
Nervosa, ela tirou as pernas do sofá, pronta para calçar os sapatos e se levantar.
— Eu vou fazer o seu jantar.
Henrique segurou o pulso dela e a puxou com firmeza, trazendo-a de volta para o sofá.
A voz dele ficou mais baixa, mais séria.
— São três da tarde. Que jantar você vai fazer agora? Para de fugir. Responde.
O coração dela bateu ainda mais descompassado, como se fosse saltar pela garganta.
Diante daqueles olhos escuros, brilhantes como obsidiana, profundos demais, Carolina se sentiu perdida, agitada, sem saber onde esconder o próprio caos.
Ela não queria responder.
Então rebateu com outra pergunta:
— E você? Ficou com ciúme por causa de meia dúzia de fotos... Então quer dizer que também sente alguma coisa?
Henrique se inclinou para mais perto.
Os olhos dele queimavam sobre ela, e a voz saiu rouca, grave, carregada de calor.
— Sinto, sim. Sinto alguma coisa por você.
Ele estava perto demais.
Carolina se encolheu para trás, apoiando as mãos no sofá para sustentar o corpo. A respiração saiu toda desordenada, e o ar que ela puxava parecia completamente tomado pelo cheiro limpo e agradável do sabonete dele.
Seu corpo ficou tenso, quente.
O coração batia com tanta força que parecia trovejar dentro do peito.
Ela engoliu em seco.
Os olhos ardentes de Henrique desceram até os lábios rosados dela, voltaram para aqueles olhos límpidos e depois percorreram seu rosto claro e delicado. O pomo de Adão dele subiu e desceu devagar. A garganta parecia áspera, arranhando por dentro, e, quando ele falou, a voz saiu baixa, rouca, quase suave demais.
— Carolina... Você aceita namorar comigo?
A mente dela virou um emaranhado.
Sem pensar, Carolina recusou na mesma hora:
— Não.
Como se já esperasse essa resposta, Henrique permaneceu estranhamente calmo.
Com uma mão apoiada no encosto do sofá e a outra ao lado dela, ele a deixou cercada entre os braços, presa naquele pequeno espaço, enquanto se inclinava sobre ela bem devagar.

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