As palavras de Henrique fizeram o nariz de Carolina arder. Seus olhos se encheram de calor, e o coração disparou no peito, fora de compasso.
Os rostos dos mais velhos se fecharam na mesma hora.
Augusto, porém, pareceu tão satisfeito que começou a bater palmas.
— Muito bem. Falou bonito, gostei de ver. — O velho estava radiante. — A Carol é a primeira esposa de um dos meus netos a entrar nesta família. Com papel passado ou sem, já vale mais do que muito neto e neta por aí que nem coragem têm de trazer alguém para casa.
Com uma demonstração tão clara de apoio vinda do Augusto, ninguém mais ousou dizer nada.
O clima, ainda assim, continuou tenso.
Vanessa então abriu um sorriso suave e interferiu:
— Rick, Carol, eu também apoio vocês dois. Seu pé ainda não está bom, filho. Vão para lá ficar com o seu irmão. Jovem se entende melhor com jovem.
— Tá bom. Vamos para lá primeiro.
Henrique segurou a mão de Carolina e, apoiado na bengala, seguiu com ela até o outro salão.
Como a sala principal ficava praticamente integrada ao salão lateral, todos ali também tinham ouvido o que Henrique dissera.
Lívia estava sentada numa cadeira de balanço, se embalando devagar. Ainda havia nela um ar de menina, e o sorriso aberto só reforçava isso. Assim que viu os dois se aproximando, levantou-se num pulo.
— Mano, vai com calma!
Ela chamou Henrique e, logo em seguida, ergueu ainda mais a voz:
— Cunhada, senta aqui. Eu cedo a cadeira para você.
Aquele "cunhada" saiu alto, claro, espontâneo, carregado de animação.
A voz de Lívia ecoou pela casa inteira, como se anunciasse para todo mundo: esta é a minha cunhada, e eu quero ver quem vai dizer o contrário.
Estava óbvio que ela tinha feito aquilo de propósito, só para os mais velhos ouvirem. Carolina ficou tão sem jeito que sentiu o rosto esquentar na mesma hora.
Do lado dos adultos, aquele "cunhada" pareceu congelar o ambiente por alguns segundos. A casa mergulhou num silêncio esquisito. Alguns demonstravam incômodo sem disfarçar, outros, ao contrário, pareciam satisfeitos.
Nesse momento, Enrico também se aproximou para ajudar Henrique.
— Mano. — Henrique o cumprimentou de volta.
— Por que você não trouxe a cadeira de rodas?
— Não precisa. Eu consigo andar.
Enrico o ajudou a se sentar numa poltrona da área de descanso e depois ergueu os olhos para Carolina.
Quando os olhares dos dois se encontraram, Carolina o cumprimentou com educação:
— Oi, Enrico.
Lívia piscou aqueles olhos grandes e redondos, já quase deixando o sorriso escapar.
— Sim, não estou. Mas... O seu irmão sabe disso?
— Não sabe. Depois eu peço desculpas para ele também.
— Não. De jeito nenhum deixe ele descobrir.
Carolina baixou os olhos, e sua voz se tornou pesada.
Lívia franziu a testa, sem entender.
— Por quê?
— Porque seu irmão já não confia mais em mim. Se ele descobrir que foi você quem me contou aquela mentira, vai achar que eu só fiquei ao lado dele por culpa.
— Mas basta explicar para ele, não basta?
Carolina soltou um sorriso amargo.
— Eu já gastei toda a confiança que ele tinha em mim. Até a última gota. Você acha mesmo que ele ainda acreditaria no que eu dissesse?
Lívia entrou em pânico na mesma hora.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...