Assim que entrou no quarto amplo e iluminado, Carolina fechou a porta.
Quando se virou, encontrou Henrique já sentado na poltrona no canto. A bengala estava encostada de lado. Ele mantinha as pernas estendidas à frente e o corpo reclinado, numa postura solta, quase displicente. Os cotovelos repousavam nos braços da poltrona, enquanto os olhos escuros e profundos permaneciam fixos no rosto dela.
Carolina caminhou até ele e parou diante da poltrona.
Os olhares se encontraram.
Por um instante, o ar pareceu suspenso.
Henrique continuava com a elegância de sempre, nobre sem afetação, gentil sem perder a firmeza. Ainda assim, havia algo escuro no fundo do olhar, uma sombra densa que ela não conseguia ignorar.
— O que foi? — Perguntou Carolina, inquieta.
A voz dele saiu baixa, suave, mas atravessada por uma distância sutil.
— Não é nada. Vai lá pra fora ficar com a Lívia. Quero descansar sozinho um pouco.
Carolina hesitou. Não sabia se devia respeitar o espaço dele ou insistir. Mas, se saísse daquele jeito, também não conseguiria sossegar.
— Onde está doendo?
Henrique não respondeu de imediato. Continuou apenas olhando para ela com aqueles olhos fundos, insondáveis.
— É no corpo... Ou no coração? Porque, desse jeito, você está me deixando preocupada.
— No coração. — Henrique respondeu com simplicidade.
— Por quê?
Henrique baixou a cabeça e puxou o ar devagar. Permaneceu em silêncio por alguns segundos, como se precisasse colocar os pensamentos em ordem. Quando tornou a erguer os olhos, a voz grave soou mais pesada.
— A Lívia passou dos limites. Ela não devia ter te contado uma mentira dessas. Você mesma viu minhas pernas. Não existe nenhum problema grave. E eu nunca pensei em me matar. Não importa o quanto eu sofra ou o quanto doa, eu jamais chegaria a esse ponto.
— Eu sei.
O coração de Carolina afundou de repente.
Ela ainda queria esconder dele a mentira de Lívia, mas não imaginava que ele descobriria tão rápido.
Uma sensação amarga tomou conta dela, enchendo-lhe o peito de apreensão e tristeza.
Sem pressa, Henrique perguntou:
— Já que você sabe, imagino que não tenha mais motivo pra se sentir culpada, certo? Então... Desta vez, quando você pretende ir embora?
Carolina fechou os punhos. Sentiu o peito apertar e rebateu, quase sem pensar:

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