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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 337

Assim que entrou no quarto amplo e iluminado, Carolina fechou a porta.

Quando se virou, encontrou Henrique já sentado na poltrona no canto. A bengala estava encostada de lado. Ele mantinha as pernas estendidas à frente e o corpo reclinado, numa postura solta, quase displicente. Os cotovelos repousavam nos braços da poltrona, enquanto os olhos escuros e profundos permaneciam fixos no rosto dela.

Carolina caminhou até ele e parou diante da poltrona.

Os olhares se encontraram.

Por um instante, o ar pareceu suspenso.

Henrique continuava com a elegância de sempre, nobre sem afetação, gentil sem perder a firmeza. Ainda assim, havia algo escuro no fundo do olhar, uma sombra densa que ela não conseguia ignorar.

— O que foi? — Perguntou Carolina, inquieta.

A voz dele saiu baixa, suave, mas atravessada por uma distância sutil.

— Não é nada. Vai lá pra fora ficar com a Lívia. Quero descansar sozinho um pouco.

Carolina hesitou. Não sabia se devia respeitar o espaço dele ou insistir. Mas, se saísse daquele jeito, também não conseguiria sossegar.

— Onde está doendo?

Henrique não respondeu de imediato. Continuou apenas olhando para ela com aqueles olhos fundos, insondáveis.

— É no corpo... Ou no coração? Porque, desse jeito, você está me deixando preocupada.

— No coração. — Henrique respondeu com simplicidade.

— Por quê?

Henrique baixou a cabeça e puxou o ar devagar. Permaneceu em silêncio por alguns segundos, como se precisasse colocar os pensamentos em ordem. Quando tornou a erguer os olhos, a voz grave soou mais pesada.

— A Lívia passou dos limites. Ela não devia ter te contado uma mentira dessas. Você mesma viu minhas pernas. Não existe nenhum problema grave. E eu nunca pensei em me matar. Não importa o quanto eu sofra ou o quanto doa, eu jamais chegaria a esse ponto.

— Eu sei.

O coração de Carolina afundou de repente.

Ela ainda queria esconder dele a mentira de Lívia, mas não imaginava que ele descobriria tão rápido.

Uma sensação amarga tomou conta dela, enchendo-lhe o peito de apreensão e tristeza.

Sem pressa, Henrique perguntou:

— Já que você sabe, imagino que não tenha mais motivo pra se sentir culpada, certo? Então... Desta vez, quando você pretende ir embora?

Carolina fechou os punhos. Sentiu o peito apertar e rebateu, quase sem pensar:

Ela sempre fora racional demais. Pensava demais, calculava demais, hesitava demais.

E, no fim, deixava a dor cair sobre os dois, sobre si mesma e sobre o homem que mais amava.

Cada palavra de Henrique fazia sentido.

O problema era que ele já não acreditava mais no amor dela.

O desejo de mantê-la ao seu lado já não nascia da segurança de ser amado, mas dessa necessidade quase física, desse sentimento que ele já não conseguia controlar, mesmo sem confiar nela.

No fundo, isso não anulava o que existia entre os dois.

Também não mudava a forma como Henrique a tratava.

Mas, se ele não acreditava no amor dela, então jamais conseguiria ser feliz de verdade.

Ia se consumir por dentro.

Ia viver entre a insegurança e a carência, entre a contenção e a dor, preso a contradições cada vez mais sufocantes.

E, com o tempo... Aquilo também acabaria destruindo-o.

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