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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 338

Agora, mais do que nunca, Carolina via tudo com clareza: Henrique já não aguentava mais ser posto à prova. Bastava uma frase vinda de outra pessoa para tocar, sem esforço, naquela ferida sempre tensa dentro dele.

— Rick, eu sei que, neste momento, não importa o que eu diga, você não vai acreditar. Mesmo assim, eu preciso falar. — Carolina abaixou a cabeça e enxugou discretamente a umidade no canto dos olhos. — Eu não fiquei ao seu lado por culpa. A Lívia só me pediu desculpas agora, mas eu já sabia fazia tempo que as suas pernas estavam bem... E que você nunca pensou em tirar a própria vida.

Henrique não disse nada. Apenas a observou em silêncio, com aquele olhar profundo demais, impossível de atravessar.

— Lembra quando eu te perguntei se você tinha tomado cefalexina com álcool? Naquele dia, você negou na mesma hora. Foi ali que eu entendi que a Lívia tinha mentido.

Ela respirou fundo antes de continuar:

— Eu quero ficar com você não por culpa, nem por pena, muito menos por obrigação. Nesta vida, eu só amei um homem... Você. Dos dezoito aos vinte e nove, já se passaram onze anos. E esse amor nunca mudou. Nunca diminuiu nem um pouco. E daqui pra frente também não vai mudar.

Os olhos de Henrique avermelharam de leve.

Ele pressionou os lábios num sorriso contido, soltou o ar devagar, e a voz saiu rouca:

— É bom ouvir isso... Eu gosto. Pode me dizer mais vezes, no futuro.

Não ser acreditada pelo homem que mais amava fez o coração de Carolina doer de um jeito quase cruel. Mas ela também sabia que aquilo era consequência das próprias escolhas. Não podia culpar Henrique.

— Eu estou falando a verdade.

— Então eu vou ouvir como se fosse verdade.

— Então... Você acredita que eu te amo?

Henrique sorriu com amargura, endireitou-se devagar na poltrona e estendeu a mão para ela.

Carolina deu um passo à frente e pousou a mão na dele.

Com um gesto leve, ele a puxou para os braços, até que ela se sentou sobre a perna que não estava machucada. Com uma das mãos, envolveu sua cintura. Com a outra, enxugou com delicadeza as lágrimas presas aos cílios dela e murmurou, em voz baixa:

— Faz tanta diferença assim... Eu acreditar ou não?

— Faz.

A ponta dos dedos dele subiu até o rosto dela, acariciando-lhe a bochecha devagar, num gesto manso. O olhar, porém, ardia.

— Carol... Eu não consigo mais acreditar em você.

— Por que você não tenta confiar em mim mais uma vez?

— Porque acreditar é criar esperança. E, quando existe esperança, existe também a decepção. Eu não sei quando vai ser a próxima vez que você vai me deixar... E eu já sofri demais com isso. Tenho medo dessa dor. Por isso, não quero mais alimentar nenhuma esperança quando se trata de você.

"Tenho medo dessa dor."

Quatro palavras simples.

Ainda assim, foi como se uma lâmina atravessasse o coração de Carolina.

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