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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 340

Com os olhos serenos e um ar quase displicente, Vanessa deixou um recado que, na superfície, soava gentil, mas trazia firmeza de sobra.

— Toda família tem um filho que dá trabalho. Então cada um cuide da própria casa e pare de se meter na vida dos outros. Tias do Rick, agradeço, em nome desses dois jovens, toda essa preocupação.

Quando terminou, segurou Carolina pela mão e se virou para ir embora.

O rosto das duas fechou como céu antes da tempestade. Os maxilares se retesaram, o peito subia e descia de raiva, e as duas ficaram olhando as costas de Vanessa e Carolina se afastarem, sem conseguir dizer mais nada.

Depois de caminhar alguns passos ao lado dela, Carolina não conseguiu se conter e soltou uma risadinha.

Vanessa virou o rosto para encará-la, largou sua mão e franziu a testa, entre a impotência e a reprovação.

— Você acabou de ser humilhada e ainda está rindo.

— Obrigada. — O sorriso de Carolina se abriu, leve e luminoso, enquanto uma doçura morna lhe aquecia o peito.

— Não precisa agradecer. — Vanessa soltou um suspiro baixo. — Você vive com medo de que os parentes, os amigos e a família do Rick não gostem de você. Tem medo de colocá-lo numa saia-justa, de deixá-lo preso no meio de tudo isso, e por isso vai cedendo, engolindo tudo calada. Só que esse tipo de tolerância só faz esse povo avançar mais. Eles começam a achar que você é fraca, que podem passar por cima de você sem consequência. Da próxima vez, não quero ver você suportando isso em silêncio. Tem gente que, se você ofender, paciência. Ofendeu e pronto. Depois joga o problema no colo do Rick e deixa que ele resolva.

— Tá bom. Entendi. — Carolina assentiu, com um sorriso suave.

Vanessa se virou de novo.

— Vamos voltar. Daqui a pouco o jantar vai ser servido.

— Certo. — Carolina seguiu ao lado dela de volta para dentro da casa.

Quando a noite caiu, a enorme sala de jantar já estava cheia. Ao redor da grande mesa redonda, toda a família já estava reunida, enquanto os garçons serviam, um após o outro, os pratos ainda fumegantes.

Logo todos começaram a beber, e o clima foi ficando cada vez mais animado.

Carolina permanecia sentada com elegância, comendo em silêncio enquanto a mesa giratória rodava devagar.

Do começo ao fim, mal precisou estender os talheres.

No prato à sua frente, nunca faltavam porções dos pratos e das carnes de que mais gostava. Henrique não deixava que ficasse vazio nem por um instante.

Quando Carolina tornou a baixar a cabeça para comer, Henrique ergueu a mão e afastou os cabelos longos dela, puxando-os para trás com naturalidade. Em seguida, prendeu-os com a destreza de quem já estava acostumado àquilo.

Carolina se surpreendeu de leve e virou o rosto para olhá-lo.

Henrique manteve a expressão calma e disse, sem pressa:

— Seu cabelo vai cair na comida e acabar sujando. Deixa que eu prendo pra você.

Naquele instante, o coração dela disparou.

Uma onda morna e doce invadiu seu peito e se espalhou pelo corpo inteiro.

A delicadeza dele, a atenção dele... Henrique sempre percebia os detalhes antes até mesmo que ela.

Mesmo sem acreditar no amor dela, isso não diminuía em nada o amor que sentia por ela.

Será que ele já andava sempre com elástico de cabelo e lenço de papel no bolso, como se fossem itens indispensáveis?

Depois de prender o cabelo dela, Henrique simplesmente voltou a pegar os talheres e continuou jantando, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.

Carolina o observou por alguns segundos, sem piscar.

Só então abaixou a cabeça, levou um pedaço de carne à boca e mastigou devagar.

Henrique apoiou a mão na porta, impedindo que se fechasse, e a encarou com a testa franzida.

— O que significa isso?

Lívia abriu um sorrisinho, com os olhos curvados e a voz doce:

— Mano, deixa a Carol dormir comigo hoje, vai. A gente ainda tem tanta coisa pra conversar.

Henrique soltou um muxoxo e a chamou pelo nome completo:

— Lívia. Do fim do jantar até agora... Já faz quantas horas?

Lívia apoiou uma mão na cintura, ergueu o queixo e respondeu, contrariada:

— Você fica com a Carol o dia inteiro e, à noite, ainda pode dormir agarrado com ela todos os dias. Qual é o problema de deixar ela dormir comigo uma noite?

Henrique rebateu na mesma hora:

— Desde quando eu durmo agarrado com ela todo dia?

Lívia travou por um instante e virou o rosto para Carolina.

As bochechas de Carolina esquentaram na mesma hora. Entre a culpa e o constrangimento, ela desviou os olhos, fingindo prestar atenção em qualquer outra coisa.

Seis anos antes, Lívia já gostava de disputar Carolina com o próprio irmão desse jeito. Naquela época, porém, ainda era nova. Carolina não imaginava que, agora adulta, ela continuaria exatamente a mesma.

E, numa situação daquelas, ficar no meio dos dois era constrangedor demais.

E mais difícil ainda era escolher um lado.

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