— Carol.
Foi nesse instante que uma voz masculina, grave e imponente, soou ao lado dela.
Carolina se virou na direção do som.
O homem aparentava pouco mais de cinquenta anos. Tinha os cabelos curtos já mesclados de preto e branco, usava óculos e trazia no semblante uma serenidade firme, daquelas que impõem respeito sem esforço.
Carolina o reconheceu no mesmo instante.
Era Victor Queiroz, o tio mais velho de Henrique.
Um alto funcionário da Procuradoria Suprema.
Quando o pai dela foi preso, anos atrás, a primeira pessoa a quem Carolina recorreu tinha sido justamente ele. Só que, naquela época, as provas pareciam irrefutáveis, e nem mesmo Victor conseguira ajudá-la. Na ocasião, ele chegou até a pedir à esposa que a convencesse a não contar a Henrique que seu pai havia sido preso.
Carolina secou depressa as lágrimas que ainda brilhavam em seus olhos, forçou-se a se recompor e caminhou até ele.
— Sr. Victor, quanto tempo.
— Quanto tempo mesmo. — Victor respondeu em tom ameno.
— Me desculpe. Eu também não queria fazer escândalo aqui. Eu só queria...
Victor a interrompeu com suavidade:
— Tudo bem. Eu entendo.
Os olhos de Carolina voltaram a se encher de esperança.
— O senhor pode me ajudar a marcar uma conversa com o procurador-geral? Meu pai foi injustiçado. Eu já tenho provas, mas a revisão do caso continua sendo barrada. Eu queria perguntar pessoalmente a ele por quê. Por que isso ainda não foi para a frente?
— Ele foi meu aluno.
O coração dela disparou.
Com os olhos marejados, Carolina assentiu várias vezes, engolindo toda a mágoa presa na garganta.
— Sr. Victor, meu pai foi mesmo acusado injustamente. O senhor pode me ajudar a marcar esse encontro? Fique tranquilo. Henrique não vai saber. E eu também não vou pedir ajuda a ele. Eu mesma sou capaz de limpar o nome do meu pai.
Victor tirou o celular do bolso e abriu o WhatsApp.
— Vamos adicionar um ao outro no WhatsApp.


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