Embora não houvesse nenhuma câmera na sala que registrasse o momento exato em que Thiago agredira Luiz, a gravação do quarto era real. As reações das quatro testemunhas eram reais. O som das pancadas era real. E o horário em que Thiago fugira também coincidia perfeitamente.
Tudo se encaixava.
Sem deixar a menor brecha.
Carolina sentiu o corpo inteiro perder as forças. Um frio cortante brotou do fundo do peito e se espalhou por ela. Seus dedos tremiam tanto que mal obedeciam. Era como se milhares de agulhas lhe atravessassem o corpo, perfurando-a até os ossos e roubando-lhe até o ar.
As mãos tremiam tanto que ela largou o celular às pressas sobre a mesa de centro. Fechou os olhos já molhados, curvou-se para a frente e enterrou o rosto entre as palmas trêmulas.
Foi como se o céu desabasse.
Não. O céu não tinha desabado.
Era só que a única luz que ainda existia no mundo dela tinha se apagado.
Victor se aproximou. Ao vê-la naquele estado, com os ombros curvados como se carregassem um peso imenso e o corpo franzino tremendo de leve, sentiu o peito apertar. Ela parecia frágil demais e, ainda assim, tinha suportado tudo até ali com uma contenção que doía de ver.
Victor pegou o celular de volta, sentou-se diante dela e falou em tom grave:
— Luiz está nessa vida há mais de vinte anos. A esposa dele trabalhava com ele antes. Depois engravidou, os dois se casaram, mas, mesmo após o casamento, ela continuou fazendo isso às escondidas. E aquelas três testemunhas eram clientes antigos deles.
— Quanto ao fato de, no tribunal, cinco anos atrás, eles terem dito que os quatro estavam jogando dominó, foi apenas uma forma de escapar da acusação de prostituição e de prática obscena em grupo.
— Entre o som das três pancadas da pá acertando a cabeça e o momento em que seu pai saiu correndo de dentro da casa, passaram-se quarenta segundos. E, no caso das quatro pessoas que estavam no quarto, a gravação mostra com clareza que nenhuma delas saiu dali em momento algum. Só voltaram a aparecer, já vestidos e recompostos, quando a polícia chegou ao local.
Victor fez uma pausa antes de continuar, com a voz ainda mais pesada:
— Carol, eu também queria que seu pai fosse inocente. Mas ele não pode se tornar inocente só por causa da relação que existe entre você e Henrique. Você entende isso, não entende?
Carolina puxou o ar fundo e então abaixou as mãos devagar. Seus olhos estavam vermelhos, úmidos, mas ela ainda tentou se recompor antes de encará-lo.
— Entendo. Obrigada, Sr. Victor. Então... Eu não vou mais incomodá-lo. Vou embora.
Victor acrescentou:

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