Carolina se levantou, pegou a bolsa, inclinou levemente a cabeça em despedida e se virou para ir embora, sem deixar transparecer nada.
Sob a luz do pôr do sol, caminhou pela rua movimentada.
Mas, para ela, as cores do mundo tinham se apagado de uma vez. Tudo parecia coberto por um cinza morto e silencioso, como se até os sons tivessem sido arrancados dali. Ela já não ouvia nem o próprio coração bater.
O vento frio soprou em seu rosto.
Era um frio que atravessava a alma, uma frieza que vinha de dentro para fora, como se lascas de gelo lhe cortassem o corpo e ferissem as entranhas a cada respiração.
Doía tanto que ela queria morrer.
Nem sabia ao certo como conseguiu voltar para casa. A consciência estava turva, enevoada, e era como se apenas o corpo ainda obedecesse mecanicamente a cada movimento.
Quando a noite já estava avançada, Carolina empurrou a porta de casa e, no mesmo instante, a respiração lhe falhou.
A luz morna iluminava a casa inteira. O aroma da comida vinha da cozinha e se espalhava pelo ar, enquanto o aquecimento da casa a envolvia por todos os lados.
Tudo era tão aconchegante.
Tão bonito.
Foi então que a voz suave de Henrique veio da cozinha:
— Carol, é você?
— Sou eu. — Ela respondeu depressa, largando a bolsa, calçando os chinelos e entrando.
— Onde foi passear hoje, hein? Chegando em casa a essa hora?
O tom dele tinha um quê quase paternal, cheio de cuidado, mimo e preocupação.
Carolina entrou na cozinha e o viu de suéter preto de gola alta, com um avental amarrado à cintura. De mangas dobradas, ele estava diante da ilha, separando a comida em porções. As costas largas e retas transmitiam uma segurança silenciosa, e ele estava tão concentrado no que fazia que nem teve tempo de se virar para olhar para ela.
Ela se aproximou, tentando parecer normal. Sem dizer nada, encostou o rosto nas costas dele e passou os braços por sua cintura, abraçando-o com força.
Henrique parou por um instante. Baixou os olhos para as mãos dela, fechadas em volta de si.
— O que foi?
Carolina fechou os olhos.
— Eu quero te abraçar.
— Desse jeito eu não consigo fazer nada.
— Já está tão tarde... Por que você ainda está cozinhando?

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