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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 191

Pelo que Lívia dizia, ficava claro: Henrique não era feliz. Estava longe disso. Tratava o próprio casamento com uma indiferença quase leviana, como se aquilo não tivesse peso nenhum.

Lívia se recostou na cadeira. Os ombros cederam, pesados, como se carregassem algo difícil de sustentar. Depois perguntou, com a voz mais baixa, carregada de algo que não chegava a ser raiva, nem tristeza:

— Carol… Você sabe o que é gostar de alguém de um jeito quase instintivo?

Carolina estava afundada numa tristeza sufocante. O peito doía tanto que respirar já não vinha fácil. As lágrimas ardiam nos olhos, prestes a cair. Ela não teve coragem de levantar a cabeça para encarar Lívia. Ficou em silêncio.

Lívia respondeu por conta própria:

— É isso que o meu irmão sente por você. Desde a primeira vez que te viu… Já ficou mexido. Nunca conseguiu esconder. A família inteira sempre percebeu. Não importa como você o tratou, nem quanto tempo tenha passado… Basta ele te ver de novo que perde o controle. Ele não consegue evitar. Não consegue ficar longe.

Fez uma breve pausa, antes de continuar:

— Você ainda está solteira… Por que não pensa melhor nele? Eu só não quero ver o casamento dele virar uma infelicidade.

Carolina balançou a cabeça, tomada por um peso silencioso de culpa.

Aquela "traição" de seis anos atrás… Henrique nunca se importou. Nem Lívia guardava ressentimento. A família Queiroz era boa demais.

Boa a ponto de doer.

— Pra falar a verdade, eu não gosto nada da mulher que a minha tia apresentou pra ele. — Continuou Lívia, torcendo o nariz. — Mandona, cheia de frescura… Tirando o fato de vir de uma família melhor, ela perde pra você em tudo. E, sinceramente, não tem nada a ver com o meu irmão.

— Me desculpa… Eu vou ao banheiro.

Carolina se levantou de repente. A voz saiu embargada, quase quebrando. Assim que terminou de falar, virou-se e saiu às pressas.

Lívia ficou parada por um instante, surpresa. Observando Carolina se afastar, algo não pareceu certo. Levantou-se logo em seguida e foi atrás.

Carolina entrou no banheiro quase correndo. Escolheu a primeira cabine, trancou a porta e se sentou.

O corpo inteiro estava gelado. As mãos tremiam tanto que mal conseguiam ficar firmes. As lágrimas desciam sem parar. O ar parecia não chegar direito, como se respirar exigisse esforço demais.

O estômago se retorcia. O peito doía. Cada parte do corpo parecia sendo roída por milhares de formigas, uma aflição contínua, impossível de ignorar.

Doía tanto que ela mal conseguia puxar o ar.

Tremendo, apoiou a mão na parede e mordeu o lábio com força, tentando se segurar, tentando a qualquer custo não desabar ali.

Mas o corpo não obedecia.

Aquela sensação voltou, como se estivesse à beira de desaparecer.

O mundo parecia coberto por uma névoa cinzenta. O ar, pesado, a esmagava pouco a pouco, até ficar difícil até mesmo se manter ereta.

Do lado de fora, a voz de Lívia veio, preocupada:

— Carol… Você tá bem?

Carolina tapou a boca às pressas, fechou os olhos e tentou respirar fundo.

Uma vez.

Depois outra.

E mais uma.

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