Sempre que Lívia aparecia, Henrique mal tinha chance de se aproximar de Carolina.
Naquela época, ainda bem que Lívia era a caçula mais paparicada da família. Se não fosse por isso, Henrique provavelmente já teria perdido a paciência com ela fazia tempo.
Lívia a levou a um restaurante muito conhecido, famoso pela costela assada. Pediram meia porção da especialidade da casa, além de vários acompanhamentos e, por coincidência ou não, tudo que veio à mesa eram pratos de que Carolina sempre gostara.
No passado, o carinho de Lívia por ela nunca tinha ficado atrás do de Henrique. Seis anos haviam passado, e mesmo assim ela ainda se lembrava com exatidão do gosto de Carolina.
Carolina também sempre tivera um carinho enorme por ela. Lívia lembrava um girassol: luminosa, vibrante, bonita, sempre virada para a luz.
— Faz seis anos que a gente não se vê, né? — Lívia comentou, com um quê de emoção na voz.
— Seis anos e dois meses.
Lívia arqueou as sobrancelhas, provocando:
— Você lembra até com os meses certinhos porque foi nessa época que terminou com o meu irmão, não foi?
A culpa apertou o peito de Carolina. Ela deu um sorriso sem jeito, baixou os olhos e, sem responder, começou a mexer no prato. Juntou um pouco de arroz, farofa e carne no garfo, levando tudo devagar à boca.
— Ano retrasado, meu irmão foi transferido pra Porto Velho. A Lílian chegou a ligar pra minha mãe, furiosa, dizendo que ele alugou um apartamento só pra fugir dela e que foi morar com você... Vocês dois realmente não voltaram?
— Não.
A resposta saiu curta, seca.
Mas, no mesmo instante, o peito dela se fechou, como se alguma coisa tivesse prendido sua respiração. A comida perdeu o gosto. Com esforço, ela forçou um sorriso e mudou de assunto:
— Lívia, me conta do seu trabalho. Tem guerra lá fora, e você vive indo pra linha de frente... Isso é perigoso demais.
— Tá tudo bem. Eu gosto de adrenalina.
Lívia respondeu de um jeito leve, quase escapando do assunto. Depois se inclinou um pouco sobre a mesa e voltou ao ponto que queria tocar.
— Quando você tiver um tempo, passa lá em casa. O vovô sente muito a sua falta.
— E a saúde dele? Como ele está?
— Na idade dele... Vai levando. — Ela sorriu, mas a preocupação em seus olhos não passou despercebida. — Já que você está em Nova Capital, tenta separar um tempinho pra ir ver o vovô. Ele sempre gostou tanto de você.
— Manda um abraço por mim... Acho melhor eu não aparecer.

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