Antes de sair, Carolina mandou uma mensagem para Lívia, combinando o horário e deixando claro que não queria encontrar Henrique.
Lívia respondeu com segurança:
[Eu garanto que vocês não vão se esbarrar. Meu irmão vive ocupado. Até perguntei se ele vinha hoje à casa do vovô, mas ele disse que está sem tempo.]
Já era quase meio-dia, e o sol brilhava alto no céu.
Carolina usava um vestido simples, de estampa delicada. O cabelo preto, liso e sedoso, estava preso para trás. A maquiagem era leve e discreta, com uma elegância natural. Com os presentes nas mãos, ela seguiu, guiada pela memória, até a casa da família, escondida no fim de uma ruazinha tranquila.
— Carol. — Lívia a esperava na porta, sorrindo. Assim que a viu, enlaçou seu braço com naturalidade e a levou para dentro. — Entra. Vou te levar pra ver o vovô.
O jardim, marcado pelos anos, estava cheio de flores e folhagens viçosas. Num canto, um pequeno espaço ornamental tornava o ambiente ainda mais delicado e acolhedor. Perto da entrada, uma gaiola com dois passarinhos chamou a atenção das duas, assim que elas passaram, os bichinhos começaram a se agitar e a repetir, num falatório animado:
— Linda! Lívia linda! Irmãzona linda! Linda demais!
Lívia caiu na risada e ergueu a mão para provocá-los de leve.
— Não é à toa que são os passarinhos do meu avô. Sabem bajular como ninguém.
Carolina também sorriu, e seguiu Lívia até a sala.
A sala de estar tinha uma elegância sóbria e imponente, sem excessos. Era ampla, clara e banhada por luz natural. Sentado numa poltrona de madeira escura, estava um senhor de cabelos completamente brancos. Parecia forte e cheio de vigor. Mesmo sentado, mantinha a postura ereta e uma presença firme que impressionava.
— Vovô, olha quem veio te visitar.
A voz animada de Lívia chegou primeiro.
Augusto terminou com calma o café que tinha na xícara, pousou-a sobre a mesa e ergueu os olhos em direção à porta.
No instante em que viu Carolina, levou um susto visível. Levantou-se de imediato, e o rosto se abriu num sorriso radiante.
— Carol! É a Carol… Hahaha… Entra, entra. Vem, senta aqui.
Carolina se aproximou com a caixa de presentes nas mãos e o cumprimentou com uma leve inclinação de cabeça.
— Vovô, quanto tempo. O senhor tem passado bem?
— Bem? Muito bem. — Augusto bateu no próprio peito, cheio de energia. Depois tornou a se sentar e fez um gesto para que ela se acomodasse. — Senta, senta. Faz tantos anos que o vovô não te vê… Ouvi dizer que, depois que terminou com o meu neto, você voltou pra Porto Velho e passou a tocar a vida por lá.
Carolina pousou os presentes e, depois de se sentar, assentiu com um certo constrangimento.
— Vou deixar vocês conversarem. Já volto, vou preparar umas frutas pra vocês.
Lívia se virou e foi para a cozinha.
Augusto serviu uma xícara de café para Carolina com as próprias mãos.
— Carol, toma.
Carolina recebeu a xícara com as duas mãos.
— Obrigada, vovô.

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