Assim que empurrou a porta da escada de emergência, Lívia puxou Carolina para dentro.
No instante em que a soltou, levou as mãos à cintura, tomada pela raiva. Começou a andar de um lado para o outro diante dela, ergueu o rosto para o teto e puxou o ar com força. Depois baixou a cabeça e soltou a respiração devagar, como se tentasse se controlar. Estava com uma expressão péssima.
Carolina sentiu o peito apertar.
— Lívia... O que aconteceu?
Os olhos de Lívia brilhavam, úmidos de raiva contida. Ela encarou Carolina e devolveu, ferina:
— Você ainda pergunta? Carol, só de pensar que você escondeu isso da gente por mais de seis anos... Me dá uma raiva...
As pernas de Carolina cederam. Ela se apoiou na parede e baixou a cabeça.
Lívia continuou, a indignação transbordando na voz:
— Você chegou a pensar no meu irmão? Nem por um segundo? — Ela deu um passo à frente. — Por que mentiu para ele? Por que escondeu isso? Se ele descobrir, vai ficar arrasado. Arrasado de verdade. Você sabe disso.
Carolina esboçou um sorriso amargo, tentando sustentar uma calma que já estava se desfazendo.
— E por que ele ficaria arrasado? Eu terminei porque não amava mais ele. Isso não tem nada a ver com a prisão do meu pai.
Lívia franziu a testa, incrédula.
— Carol, você acha mesmo que eu sou idiota?
Carolina não respondeu.
Lívia ergueu o rosto, respirou fundo e soltou o ar lentamente. O peito subia e descia com força. Só depois de um tempo voltou a olhar para ela.
— Seis anos atrás, seu pai foi preso e, menos de um mês depois, você simplesmente deixou de amar meu irmão. E eu devo acreditar que foi coincidência?
— Foi coincidência, sim.
— Então é nisso que você vai continuar insistindo? — A voz de Lívia endureceu de vez. — De qualquer forma, eu vou contar tudo para o meu irmão. Sem falta.
Carolina ergueu os olhos para ela.
— E o que isso vai mudar? — De repente, seus olhos ficaram vermelhos, como se uma ferida antiga tivesse sido aberta outra vez e alguém tivesse jogado sal em cima. — Ele vai largar o trabalho para ficar comigo? Vai pedir ao tio dele que interfira e tire meu pai da prisão?
Lívia ficou sem resposta por um instante.
Carolina forçou outro sorriso, ainda mais amargo. Com os olhos marejados, falou devagar, uma palavra de cada vez:
— Não vai mudar absolutamente nada. Então para quê contar? Só para fazer ele sofrer mais um pouco?
— Então você admite que terminou com ele por causa do seu pai?

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