— Gostar é uma palavra forte. Minha tia acha que nós dois combinamos.
— Então… No fundo, qualquer uma serviria, não é?
— Sim.
Daniela sentiu a raiva subir de uma vez. A respiração vacilou, mas, ainda assim, ela forçou um sorriso tenso, quase quebradiço, e virou o rosto para encará-lo.
— Você precisa mesmo ser tão direto? Tão cruel?
— Casar comigo ou não continua sendo uma escolha sua.
Ela soltou um suspiro longo.
— Pelo visto, essa ex que te dispensou duas vezes realmente te deixou marcado.
Henrique não respondeu.
Continuou dirigindo em silêncio, os olhos fixos na estrada.
O carro deixou a delegacia e seguiu pela avenida. Ao passar pela calçada, cruzou com Carolina.
Com uma mão no volante, Henrique apoiou distraidamente o braço da outra no vidro da janela. Quase sem perceber, o olhar caiu no retrovisor.
Sua expressão escureceu ainda mais.
Mais funda.
Mais indecifrável.
Curiosa, Daniela perguntou:
— Se a sua ex aparecesse agora dizendo que quer voltar… Você ficaria com ela de novo?
— Não. — Henrique respondeu sem hesitar.
Rápido demais.
Firme demais.
— Está falando sério?
O sorriso de Daniela se abriu, visivelmente mais leve.
Henrique soltou um sorriso amargo.
— Eu teria algum motivo pra mentir pra você?
Em seguida, endireitou o corpo e apertou o botão. O vidro da janela começou a subir devagar.
Daniela se acomodou no banco, agora claramente satisfeita, os olhos brilhando.
— Sua tia me garantiu, com toda convicção, que você é um homem muito, muito bom. Educado, íntegro, gentil, atencioso e extremamente responsável. Hoje eu consegui ver isso um pouco com meus próprios olhos. Você realmente não me decepcionou.
Ela baixou a cabeça, sem jeito, com um sorriso discreto nos lábios.
— Se eu me casar com você, vou ser muito feliz. Na verdade, qualquer mulher seria. Porque você é, de fato, um homem maravilhoso. Foi a sua ex que não soube enxergar isso.
— Pra onde você quer ir? Eu te deixo lá.
Henrique mudou de assunto sem a menor hesitação.
— Vamos jantar juntos. No mesmo lugar do nosso encontro às cegas da outra vez.
— Tudo bem.
Henrique digitou o endereço na tela do carro.
Carolina voltou para o hospital.
Mas, assim que chegou, recebeu uma notícia do médico: sua mãe já tinha saído da UTI e sido transferida para um quarto comum.

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