Carolina sorriu em meio às lágrimas, mas não disse nada.
Lívia sustentou aquele sorriso triste por alguns segundos. Em vez de ir embora, voltou e a abraçou.
O gesto repentino trouxe um pouco de calor ao corpo exausto de Carolina. E, junto com esse calor, veio também um fio de força.
Ela ficou imóvel por um instante. Depois, não aguentou. Enterrou o rosto no ombro de Lívia e deixou as lágrimas caírem em silêncio.
Lívia a manteve nos braços, afagando de leve suas costas.
— Não tenta carregar tudo sozinha. — Murmurou, com o peito apertado. — Porque o que eu vejo não é falta de amor pelo meu irmão, é justamente o contrário. Você o amava tanto que não teve coragem de acabar com o futuro dele. Não quis arrastá-lo para fazer nada ilegal, muito menos colocá-lo diante de uma escolha impossível e condená-lo a viver com culpa por ter terminado com você.
Então, com um sorriso amargo, completou:
— No fim, o papel de vilã sobrou todo pra você... E a imagem boa ficou toda com o meu irmão.
Carolina mordeu o lábio. O corpo tremia em soluços abafados. Com a voz embargada, perdida no ombro de Lívia, sussurrou:
— Lívia... A Daniela também é uma boa mulher. Eles vão ser felizes.
— A Daniela talvez seja. — Lívia a afastou devagar, só o suficiente para encará-la. — Mas isso não quer dizer que meu irmão vá ser.
Fez uma breve pausa e continuou, firme:
— Carol, agora eu acredito mais do que nunca que meu irmão teria, sim, encontrado uma quarta saída.
Depois disso, foi embora sem olhar para trás.
Carolina ficou observando as costas de Lívia se afastarem, enquanto sentia o coração afundar junto.
Uma situação sem saída... De onde viria uma quarta alternativa?
Sem forças, sentou-se no degrau da escada. Apoiou os braços sobre os joelhos, enterrou o rosto entre eles e ficou ali por muito, muito tempo, tentando se recompor.
Quando voltou para o quarto, Luana perguntou:
— E a sua amiga?
— Foi embora. — Carolina caminhou até a cama e se sentou na beirada. — Mãe, você contou pra Lívia que eu estou doente?
— Não. — Luana suspirou, impotente. — Fiquei com medo de que, se ela descobrisse uma doença dessas, começasse a te olhar diferente... Pensasse que você está carregando uma energia pesada, coisa ruim... E acabasse se afastando.
Mas isso Carolina realmente não temia.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
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