Lívia virou o rosto e lançou um olhar na direção dele.
Era Cláudio Oliveira, irmão de Lílian. Tinha acabado de assumir os negócios da família, e o peso da responsabilidade já começava a aparecer.
— Fim de semana é pra descansar de verdade. Faz tempo que a gente não se reúne assim... Larga esse trabalho um pouco. — Disse Renato.
Cláudio deixou o celular de lado e se levantou, indo até eles.
— Tá bom. Já que é fim de semana, então vamos aproveitar direito. Rick, vem jogar.
Com uma taça de vinho na mão, Henrique estava encostado perto da janela, observando o entardecer desaparecer lá fora. Respondeu, sem muito interesse:
— Chama o meu irmão.
No canto da sala, Enrico mantinha a postura impecável enquanto disputava uma partida de estratégia com outro amigo. Nem levantou os olhos.
— Tô no meio da jogada.
Lívia se levantou, foi até Henrique, segurou o braço dele e praticamente o arrastou até a mesa de centro.
— Mano, vem jogar com a gente. Só uma rodada.
Henrique pousou a taça, se inclinou para frente, pegou o baralho e começou a embaralhar com calma.
— Tá bom. Eu entro.
De um lado, os dois irmãos mais velhos seguiam concentrados no jogo deles.
Do outro, Henrique, Lívia, Cláudio e Renato se acomodavam ao redor da mesa.
Sendo a única mulher ali, Lívia era claramente a queridinha do grupo. Ninguém contrariava. Henrique, então, fazia todas as vontades da irmã sem nem pensar.
Na verdade, Lílian queria ter ido com Cláudio.
Mas Henrique tinha sido direto:
— Se ela for, eu não vou.
E assim, Cláudio acabou indo sozinho.
Henrique e Enrico nem moravam ali. Só apareciam de vez em quando, para ver os pais ou encontrar os amigos.
As cartas foram distribuídas.
Entre uma jogada e outra, a conversa seguia solta.
Mas o assunto que vinha incomodando Lívia há dias falou mais alto. No fim, ela não resistiu. Limpou a garganta e disse, num tom casual demais:
—Tenho uma amiga passando por uma situação bem complicada. Queria ouvir a opinião de vocês.
Cláudio baixou as cartas na mesa, entrando na rodada.
— Fala. O que aconteceu?
Lívia acompanhou a jogada, tentando parecer tranquila. De relance, olhou para Henrique antes de continuar:
— Essa minha amiga se envolveu em um problema e ficou com ficha criminal. O namorado dela trabalha no serviço público... E os dois se amam muito. Muito mesmo. Daquele tipo que, se se separarem, nenhum dos dois vai ser feliz de verdade. O que dá pra fazer numa situação dessas?
Renato soltou uma carta e deu de ombros.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
É possível obter o e-book completo?...