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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 207

Henrique observava Carolina embaralhar as cartas. Aos poucos, seu olhar ia ficando mais pesado, mais sombrio.

Cláudio permanecia ao lado dela, com o mesmo jeito acessível de sempre.

— Se precisar de qualquer coisa daqui pra frente, é só falar. Sem formalidade. Depois a gente troca WhatsApp.

Carolina assentiu, educada.

— Tá bem. Obrigada.

Aproveitando a deixa, Cláudio insistiu:

— Já pensou em ficar na Nova Capital e seguir carreira por aqui?

Enquanto distribuía as cartas com calma, Carolina respondeu, neutra:

— Não.

Henrique pegou a taça, tomou um gole e virou o rosto em direção à janela de vidro. O pomo de adão subiu e desceu devagar, como se ele engolisse algo que não queria demonstrar.

Renato também bebeu e, de repente, perguntou, curioso:

— Carolina, você está solteira?

As mãos dela vacilaram por um instante. Os lábios se comprimiram levemente.

Era o tipo de assunto que ela preferia evitar.

Ainda assim, por educação, confirmou com um pequeno aceno.

Cláudio entrou na conversa na mesma hora:

— Eu também estou solteiro.

Renato arqueou a sobrancelha.

— Ninguém perguntou.

Percebendo o desconforto de Carolina, Lívia sorriu e mudou o rumo da conversa sem hesitar:

— Ei, vocês não estavam dizendo que quem perdesse tudo ia ter que pagar uma prenda? Qual é afinal?

Renato olhou para as cartas e respondeu com naturalidade:

— Simples. Quem sair mais quebrado vai ter que chamar, na frente de todo mundo, quem mais ganhou hoje de chefe.

As mãos de Carolina pararam por um segundo. Até a testa se franziu, sem conseguir disfarçar.

Ela olhou para Renato, depois para Cláudio, e por fim para Henrique.

Dessa vez, ficou realmente sem reação.

Homens quase com trinta anos, bem-sucedidos, e ainda assim, quando se juntavam, se comportavam como adolescentes competindo por orgulho.

Perder dinheiro talvez nem fosse o pior.

O verdadeiro golpe era esse tipo de castigo.

Carolina terminou de distribuir as cartas e disse, de repente:

— Então eu entro nessa também. Se eu ganhar, não precisam me chamar de chefe. Podem só… Me chamar de irmã mais velha.

Renato foi o primeiro a rir.

— Aí sim. Perder pra você é bem melhor do que pra esses dois.

Entre todos ali, Carolina era a mais nova.

Henrique apoiou o cotovelo no joelho, inclinou levemente o corpo para a frente e pegou as cartas. Falou num tom relaxado, quase preguiçoso:

— E se você perder?

Carolina respondeu sem pensar:

— Aí eu te chamo de irmão mais velho.

Henrique soltou uma risada baixa, carregada de ironia.

— Tá fácil demais pra você.

— Pois é. Ele já é mais velho. Isso nem conta como castigo. — Renato concordou.

Carolina terminou de distribuir as cartas, respirou fundo e sorriu de leve.

— Então o que vocês querem?

Henrique ergueu o olhar.

Os olhos escuros pousaram diretamente nela, firmes, calculados, como se estivesse testando até onde ela iria.

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