Desde pequena, os pais a ensinaram a ser sempre boazinha e obediente: respeitar os mais velhos, ceder ao irmão caçula, trabalhar para sustentar a família e, de preferência, casar cedo para ajudá-lo a vencer na vida.
Até a melhor amiga, com quem crescera lado a lado, estava de olho no homem que ela amava. Sem pensar em todos aqueles anos de amizade, virou-lhe as costas e transformou tudo em rivalidade.
A realidade a empurrava cada vez mais para a resignação. Carregar o estigma de ser parente de um criminoso fazia com que ela nunca se sentisse digna o bastante para se casar com Henrique.
O tio e a tia de Henrique a pressionavam para ir embora.
O próprio pai de Henrique também a forçava a se casar logo, a poupar os dois e a pôr um ponto final naquilo.
Durante todo esse tempo, ela tinha sufocado os próprios desejos, cedido à vontade dos mais velhos que respeitava e se esforçado para ser a boa menina, dócil e obediente que todos queriam ver.
Só tinha se esquecido de si mesma.
Ela sempre colocava os outros em primeiro lugar e guardava toda a dor, toda a tristeza, só para si. Reprimiu os próprios sentimentos por tantos anos que, no fim, também adoeceu. Agora, viver cada dia parecia exaustivo demais, pesado demais... Às vezes, chegava até a querer morrer.
Dali em diante, não viveria mais em função de ninguém.
Faria o que quisesse. Se ainda pudesse ser feliz nem que fosse por um único dia, então viveria um dia de cada vez. Ninguém sabia quando aquela doença a arrastaria para o inferno. Então por que continuar pensando tanto?
Carolina abriu um sorriso frio no canto da boca e, dali em diante, não fez mais a menor questão de tratá-la bem.
— É essa a minha atitude. Se não gostou, vai reclamar com o Henrique. Ou então conta pros pais dele.
— Você...
Tainá ficou tão furiosa que o rosto se fechou na mesma hora. Cerrou os dentes, mas, por um instante, não conseguiu encontrar resposta.
Carolina seguiu em frente com o latte gelado na mão, sem lhe dar mais atenção.
Tainá fechou os punhos, respirou fundo para se conter e, tomada pela raiva, tirou o celular da bolsa e ligou na mesma hora para Saulo.
Enquanto andava, foi dizendo:
— Saulo, a Carolina apareceu de novo aqui, correndo atrás do seu filho. E ainda veio cheia de marra, toda grossa. Você precisa dar um jeito nisso, senão...
Carolina ainda ouviu a voz de Tainá ao longe, ficando cada vez mais distante.
Não deu importância.
Quando voltou para o quarto, largou a bolsa, pegou a bebida e o barbeador e foi até a porta ao lado. Bateu de leve.
— Pode entrar. — Respondeu Henrique.
Carolina abriu a porta e entrou, com um sorriso discreto nos lábios.
— Comprei um barbeador para você.
Henrique estava sentado à escrivaninha, celular na mão, no meio de uma ligação. Ao vê-la, apenas assentiu.


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