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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 231

O homem de terno impecável parou diante dela com um sorriso discreto nos lábios.

Era Cláudio, irmão de Lílian.

— O que você está fazendo aqui? — Perguntou Carolina.

Cláudio enfiou uma das mãos no bolso da calça.

— Vim ao aeroporto receber um cliente importante. Você está voltando para Porto Velho... E sua mãe?

Carolina pousou a mão de leve sobre a urna funerária apoiada no colo.

Cláudio empalideceu. Sentou-se imediatamente ao lado dela, e o sorriso desapareceu do rosto. Quando falou, a expressão já estava carregada.

— Me desculpa. Eu não sabia que você tinha passado por uma coisa dessas. Meus sentimentos.

— Uhum. — Respondeu Carolina, em voz baixa.

Cláudio tirou as mãos dos bolsos e esfregou uma na outra, hesitando antes de perguntar:

— Você ainda pensa em voltar para Nova Capital?

— Não sei.

— E se você viesse crescer aqui, em Nova Capital? Trabalha comigo. Posso te colocar como consultora jurídica ou gerente da área de investimentos. Salário anual de um milhão.

Carolina virou o rosto para encará-lo e esboçou um sorriso sem força.

— Agradeço a consideração, senhor Cláudio. Mas não pretendo vir para Nova Capital.

— Em Porto Velho, trabalhando como advogada do interesse público, você não deve ganhar nem cem mil por ano, deve? — Cláudio inclinou o corpo na direção dela. — No fim, todo mundo quer viver melhor. Sua mãe também gostaria de ver você com um futuro mais confortável, não gostaria?

— O senhor não faz a menor ideia da minha capacidade profissional e, mesmo assim, já está me oferecendo um salário de um milhão por ano. Fica difícil não perceber quais são as suas intenções.

Cláudio abriu um meio sorriso.

— Quando se trata da mulher de quem eu gosto, eu não vejo motivo para esconder nada. Sempre fui assim.

Carolina abaixou a cabeça e fitou a urna com as cinzas da mãe. Depois assentiu de leve, como se tivesse chegado a alguma conclusão, mas não disse nada.

Antes de morrer, havia uma coisa que a mãe repetia sem parar: queria vê-la casada.

Queria que ela encontrasse um homem em boa situação, alguém capaz de poupá-la, para o resto da vida, do peso da pobreza.

O que ela nunca soube de verdade era que uma mulher também podia construir a própria vida com as próprias mãos, sem depender de homem nenhum para carregar o seu futuro.

Carolina mudou de assunto.

— Ainda vou ter que esperar bastante. Se você tiver compromisso, pode ir.

Cláudio continuou sentado, tranquilo, numa calma quase displicente.

— Eu também não estou ocupado. Posso ficar aqui com você. Você vai embora agora, e sabe-se lá quando a gente vai se ver de novo.

Carolina não respondeu. Ficou ali, em silêncio.

— Tudo bem. A gente se fala pelo WhatsApp. — Ele se levantou. Em seguida, pousou a mão no ombro de Carolina num gesto leve de consolo. — Não esquece de me procurar quando for a Nova Capital. A proposta de um milhão por ano continua de pé.

Carolina não se mexeu. Nem ergueu os olhos.

Cláudio ainda a observou por alguns segundos, com certa relutância no olhar. Mas o tempo dele valia ouro. Em três horas, dava para resolver muita coisa. Não fazia sentido desperdiçar esse tempo esperando um voo.

Então se virou e foi embora.

Depois de alguns passos, captou pelo canto do olho uma figura conhecida.

Parou na mesma hora.

Henrique estava sentado algumas fileiras atrás de Carolina.

O impacto foi imediato. Cláudio olhou para Henrique e, acompanhando a direção do olhar dele, tornou a encarar Carolina.

Sempre acreditara que, depois de seis anos separados, os dois já tivessem rompido qualquer laço.

Achou que Henrique, prestes a se casar, já tivesse enterrado aquela ex-namorada no passado. Nem na última partida de cartas ele tinha percebido nada fora do lugar.

E agora, justamente quando estava prestes a dar um passo decisivo, Henrique reaparecia para disputar a mesma mulher.

Só que, dessa vez, talvez Henrique não conseguisse vencer.

Cláudio apenas esboçou um sorriso, sem se deixar abalar, e seguiu em frente em passos firmes.

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