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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 232

Para Henrique, três horas não significavam nada.

Na verdade, o tempo parecia escorrer rápido demais, rápido o suficiente para, num piscar de olhos, ela já estar indo embora.

Carolina se levantou, segurando a urna contra o peito. De repente, teve a nítida sensação de estar sendo observada, como se um olhar intenso se cravasse em suas costas.

Ergueu a cabeça e olhou ao redor.

Não viu ninguém.

Empurrou a mala, despachou a bagagem e seguiu para o embarque.

Henrique se abaixou ao lado de uma fileira de cadeiras, saindo do campo de visão dela.

Instantes depois, ergueu-se com cuidado e foi atrás.

Carolina passou pelo portão de embarque. Deu alguns passos, mas parou.

Sem conseguir evitar, virou-se mais uma vez.

De repente, uma silhueta se recolheu rapidamente para um canto. Ela não conseguiu distinguir quem era. Talvez fosse só um desconhecido. Ou talvez fosse sua mente, ainda abalada, criando aquelas ilusões estranhas.

Dessa vez, não hesitou.

Seguiu em frente, com passos decididos.

Henrique saiu novamente do esconderijo e ficou ali, parado, observando as costas de Carolina, frágeis, solitárias, até que desaparecessem por completo de sua vista.

Ele cerrou os punhos.

Os nós dos dedos ficaram rígidos, esbranquiçados.

Tentou conter a dor que apertava seu peito, mas os olhos arderam, vermelhos. Doía tanto que mal conseguia respirar. Entreabriu os lábios e soltou o ar devagar.

Não teve coragem de aparecer para se despedir, com medo de pesar ainda mais sobre ela.

Não teve coragem de deixar que ela percebesse que ele nunca a esquecera, por isso, vestia aquela indiferença, escondendo até o menor vestígio do amor que ainda sentia.

Temendo que ela nunca mais voltasse a Nova Capital, recorreu a provocações, desafios, qualquer coisa que pudesse deixar um motivo para que ela retornasse.

Quando o assunto era Carolina, ele já tinha tentado de tudo. Usado todos os meios. Se entregado por completo.

E, ainda assim, nunca se sentira tão impotente.

No fim, apenas murmurou para o vazio:

— Carolina… Boa viagem.

De Nova Capital a Porto Velho eram dois mil quilômetros, cerca de quatro horas de voo.

Durante toda a viagem, a mente de Carolina permaneceu em branco. Não pensou em ninguém. O coração parecia anestesiado, e suas mãos ainda tremiam levemente.

No avião, teve uma crise leve de somatização.

Felizmente, não chegou a incomodar ninguém. Suportou tudo sozinha, em silêncio, até que passasse.

Quem bancou tudo e cuidou de tudo foi Carolina.

E, no fim, como não conseguiram salvá-la…

A culpa caiu inteira sobre ela.

Do começo ao fim, o irmão só abriu a boca, e apenas para apontar o dedo, jogando toda a responsabilidade nas costas dela.

Ainda assim, aos olhos dos parentes, ele continuava sendo o único pilar da família.

E não parou por aí.

Ele ainda foi até a prisão visitar o pai, contou sobre a morte da mãe… E repetiu tudo. Palavra por palavra. Uma acusação atrás da outra, martelando as culpas dela.

Se exagerou ou inventou coisas, Carolina não sabia.

Ela só sabia de uma coisa: recebeu a notícia de que o pai tinha desmaiado enquanto trabalhava na prisão.

Ela tentou ir visitá-lo.

Ele se recusou a vê-la.

E foi nesse momento que a ficha caiu de vez.

Talvez o pai também tivesse acreditado no irmão.

Talvez, para ele… Toda a culpa também fosse dela.

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