No silêncio profundo da noite, Carolina saiu do banheiro ainda envolta pelo vapor do banho. Vestia uma camisola longa, leve, de tecido macio. Os cabelos já estavam secos.
Ia apagar a luz da sala quando alguém começou a bater à porta.
Não era uma batida discreta. Eram pancadas fortes, insistentes, quase uma atrás da outra, urgentes demais para serem ignoradas.
O coração dela falhou por um instante.
Àquela hora, daquele jeito… Não precisava nem pensar. Só podia ser Henrique.
Carolina se aproximou e olhou pelo olho mágico.
Como imaginava, era ele.
Apoiado com a mão esquerda na parede para não cair, Henrique batia com a direita. A cabeça pendia, os ombros estavam caídos. O rosto, excessivamente corado, denunciava o álcool. O corpo oscilava de leve, como se pudesse desabar a qualquer momento.
Ela ficou ali, em silêncio, por quase dois minutos, esperando que ele desistisse.
Mas as batidas continuaram, irregulares… Persistentes.
Ficou claro que ele não iria embora tão cedo.
Sem alternativa, Carolina destrancou a porta.
O clique seco da fechadura ecoou pelo apartamento silencioso.
Assim que a porta se abriu, o peso do corpo dele cedeu para dentro.
Quente, impregnado de álcool, Henrique caiu sobre ela sem aviso. A cabeça afundou na curva do pescoço dela.
O impacto a fez recuar dois passos, quase perdendo o equilíbrio, até conseguir se firmar.
A respiração dele era quente, queimando contra a pele ainda úmida do banho, arrancando um arrepio involuntário.
O braço dele envolveu a cintura dela com força, firme, possessivo, impossível de ignorar.
Carolina enrijeceu.
O ar ao redor parecia tomado pelo cheiro dele. Aquela fragrância limpa e familiar que ela conhecia tão bem, e que, apesar de tudo, ainda a afetava. Misturada ao álcool, ficava ainda mais intensa.
O coração disparou.
Até a respiração saiu fora de ritmo.
Com as mãos apoiadas no abdômen firme dele, ela tentou afastá-lo.
— Henrique, me solta. O que você está fazendo aqui desse jeito? Vai pra casa.
O corpo dele era grande, sólido, pesado demais. A diferença de força entre os dois era evidente. Carolina precisou reunir toda a força que tinha para empurrá-lo.
Quando finalmente conseguiu, ele acabou batendo contra a porta com o próprio peso.
Ficou ali, praticamente desabado contra a madeira. O rosto, do pescoço às bochechas, estava tomado por um vermelho anormal.
Com esforço, ele ergueu as pálpebras pesadas.

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