A ideia de Carolina com Cláudio era como um espinho cravado no peito de Henrique.
No sábado à noite, como não precisaria trabalhar no dia seguinte, ele chamou Cláudio para sair e beber.
O bar tinha um ar sofisticado, com um charme retrô e detalhes étnicos na decoração. Havia poucos clientes. No palco, um rapaz cantava folk sob uma luz suave, sentado num banquinho. A melodia fluía mansa, e a voz dele era limpa, agradável. O ambiente inteiro tinha um aconchego raro.
Depois de algumas doses de uísque, Henrique, já incomodado, abriu de uma vez os dois primeiros botões da camisa preta e enfim perguntou:
— Você está interessado na Carolina?
Cláudio estava largado na cadeira, numa postura relaxada. Um dos braços descansava no encosto atrás dele. Com a outra mão, levou o copo aos lábios e bebeu devagar. Sem tirar os olhos do cantor no palco, respondeu:
— Estou.
Henrique puxou o ar fundo.
— Vocês estão juntos?
Cláudio curvou os lábios num meio sorriso e só então olhou para ele.
— Rick, você estava prestes a se casar. Desde quando acha que pode se meter na vida da sua ex?
— Eu terminei o noivado.
As sobrancelhas de Cláudio se franziram na mesma hora, e a expressão dele pesou.
— Por causa da Carolina?
— Não teve nada a ver com ela.
Cláudio soltou um riso curto, carregado de deboche. Virou o resto da bebida de uma vez e pousou o copo na mesa com força.
— Claro. E você acha mesmo que alguém vai acreditar nisso?
Henrique pegou a garrafa de uísque, serviu mais um pouco para Cláudio e completou o próprio copo. Depois pousou a garrafa sobre a mesa, com calma.
— Não teve nada a ver com ela. Foi uma decisão minha.
— Para de mentir pra si mesmo. A Carolina nunca vai ficar com você.
A voz de Cláudio saiu mais dura, mais séria.
— Eu sei.
Depois de responder, Henrique ergueu a cabeça e virou de uma vez o que ainda restava no copo.
O amargor desceu rasgando a garganta, pesado, intragável como fel. Ele franziu a testa, apertou os lábios e soltou o ar devagar. Mesmo assim, insistiu:
— Então até onde vocês chegaram?
Cláudio sorriu de leve.
— Estamos naquela fase em que o clima já mudou. Quase namorando.
— Quase quanto?
— Falta só um pedido decente. E, convenhamos, um homem bonito e rico como eu não deve ser tão fácil assim de recusar.
Henrique soltou um sorriso enviesado.
— O Marcelo conseguiu. Se você não conseguiu, foi porque não teve capacidade.
Cláudio soltou uma risada debochada, passou a mão no queixo e arqueou uma sobrancelha.
— Marcelo? Você está falando daquele melhor amigo da Carolina? Ele é gay. Passivo. Nem funciona. Na faculdade, ele namorou por alguns meses um amigo meu. E, até onde eu sei, o Marcelo gostava de você, não da Carolina.
O rosto de Henrique escureceu na mesma hora.
As pupilas se contraíram de repente, como se ele tivesse levado um choque. Os dedos se fecharam devagar até virarem punhos. O peito subia e descia com força. Uma frieza pesada, quase sufocante, pareceu se espalhar ao redor dele, como se, num único segundo, ele tivesse despencado num abismo de gelo.
Cláudio se intimidou com a mudança brusca e engoliu em seco.
— O que foi? O que deu em você?
Tomado pela raiva, Henrique se levantou e foi embora.
Cláudio também se pôs de pé.
— Rick! Por que você está indo embora assim, do nada? Vai pra onde?
Henrique ignorou os gritos. Enquanto saía, já tirava o celular do bolso para chamar um carro.
Aquela mulher, Carolina, tinha mentido para ele muito mais do que ele imaginava.
Uma vez.
E depois outra.
E outra.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...