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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 280

De manhã cedo, a luz do sol inundava a varanda e atravessava a cortina, espalhando claridade por todo o quarto.

Carolina despertou devagar, ainda sonolenta, e estendeu a mão para o lado na cama grande.

Estava frio.

Vazio.

Ela abriu os olhos, olhou em volta e se sentou, abraçando o lençol contra o corpo. Só então percebeu que Henrique já não estava mais no quarto.

O celular estava sobre a mesa de cabeceira. Ela o pegou e viu as horas.

10h08.

Henrique já devia estar no trabalho.

Quanto a ela, não precisava bater ponto nem tinha horário fixo. Se não houvesse nada urgente, podia muito bem dormir até acordar sozinha e só depois ir ao escritório.

Carolina afastou o lençol e saiu da cama. Reparou que as roupas espalhadas pelo chão já tinham sido recolhidas. Depois, foi até o banheiro se arrumar.

Parada diante do espelho, viu o próprio reflexo.

Sobre a pele clara, havia marcas de beijo por toda parte.

Bastava um olhar para entender o quanto Henrique tinha sido intenso na noite anterior.

Com a ponta dos dedos, ela tocou de leve os sinais avermelhados sobre a pele, acariciando-os devagar, enquanto sentia o coração estremecer no peito.

As cenas da noite passada voltaram uma a uma à sua mente, e suas faces se aqueceram de leve.

Talvez, contanto que não quisesse um nome para aquilo nem exigisse um lugar oficial ao lado dele...

Talvez ainda assim pudessem ser felizes.

Um sorriso discreto surgiu nos lábios de Carolina. Ela apressou a rotina, terminou de se arrumar, se vestiu, fez uma maquiagem leve e saiu do quarto.

Sobre a mesa da sala, Henrique tinha deixado o café da manhã pronto.

Ao lado, havia um bilhete.

Sentada à mesa, Carolina pegou o papel e leu:

[Se o café da manhã já tiver esfriado, esquenta antes de comer. Hoje à noite não vou precisar ficar até mais tarde no trabalho. Eu faço o jantar. Volta cedo, pode ser?]

Com um leve sorriso, ela dobrou o bilhete com cuidado, levantou-se e o guardou na caixinha dentro da gaveta.

Em seguida, pegou o celular, abriu a conversa de Henrique no WhatsApp e, sem pensar duas vezes, começou a digitar:

[Tá bom. Vou voltar cedo. E também aceito a sua proposta. Não vamos nos casar, não vamos ter filhos. Vamos só continuar assim, lado a lado, cuidando um do outro, e viver juntos uma vida simples até o fim.]

Depois de terminar, ela puxou o ar com força.

Estava prestes a enviar a mensagem quando a tela do celular se acendeu com uma ligação.

Número desconhecido.

O DDD era de Nova Capital.

Carolina não mandou a mensagem. Atendeu primeiro.

Do outro lado da linha, veio uma voz masculina conhecida, grave e contida:

Num café reservado, longe do movimento, dentro de um salão amplo e silencioso, Saulo estava sentado diante de Carolina, solene e imponente como sempre.

Carolina, porém, se sentia à deriva.

Tomava em pequenos goles o café que Saulo lhe servira, enquanto o ouvia falar num tom gentil, com frases educadas e ponderadas.

Mas não absorvia uma única palavra.

Os elogios.

A admiração.

A resignação.

Tudo aquilo não passava de preparação para o verdadeiro pedido que viria depois.

Era aquele tipo de conversa polida que os mais velhos costumam conduzir antes de chegar ao ponto principal.

Durante todo esse tempo, Carolina não disse nada.

Só sentia que aquele coração que mal tinha voltado a bater, depois de tanto tempo em ruínas, estava sendo engolido mais uma vez por um mar revolto.

A fumaça do café subia em espirais suaves.

O aroma amargo e denso preenchia o ambiente.

Só quando Saulo finalmente entrou no assunto principal foi que ela pareceu despertar um pouco.

— Por sua causa, Henrique decidiu que não quer se casar nem ter filhos. Quer levar a vida desse jeito, sozinho. Talvez só vá pensar em casamento quando já estiver velho. Mas eu, como pai, não quero ver meu filho desperdiçar os melhores anos da vida numa relação sem futuro. Carol, sou um homem de outra geração. Respeito os sentimentos do meu filho, mas não posso aceitar que ele desista de ter uma família. E ainda espero, sinceramente, ver a família Queiroz crescer, com filhos, netos e a casa cheia.

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