Claro.
Como aquilo poderia ter sido coincidência?
Se ele a tinha pego logo de primeira, era porque já estava de tocaia havia muito tempo, esperando o momento certo para agir.
— Você não disse que andava muito ocupado ultimamente? Que estava fazendo hora extra?
Carolina se achegou mais, roçando de leve no braço dele, como se quisesse diminuir ainda mais a distância entre os dois.
Henrique curvou os lábios num sorriso discreto e abaixou a cabeça para olhá-la.
Desde o começo, quando ela se recusava a lhe dar a mão e praticamente era arrastada por ele, até agora, caminhando ao seu lado, aceitando os dedos entrelaçados e até tomando a iniciativa de se aproximar...
Henrique percebeu cada mudança, por menor que fosse.
O sorriso em seus lábios se abriu aos poucos e, no fundo dos olhos, brilhava um calor intenso, profundo, cheio de afeto.
— Eu realmente estou ocupado. Mas isso diz respeito à sua segurança. Não dá para deixar para depois.
— Obrigada, Henrique.
— Você não precisa ser formal comigo. Só quero que se lembre de uma coisa: entre nós, não tem essa de cada um por si. Se houver alguma coisa que você não consiga resolver sozinha, me procura. Entendeu?
Carolina ficou tão tocada que não encontrou palavras. Apenas assentiu.
Os dois entraram no condomínio e subiram.
Parada diante da porta, Carolina destrancou a fechadura e empurrou a porta para entrar. Nesse instante, Henrique parou.
Ela se virou para olhá-lo.
Ele permaneceu imóvel, como se não tivesse a menor intenção de entrar. Estava bem diferente das outras duas vezes, quando arranjara desculpas e insistira descaradamente para invadir o apartamento.
Henrique inclinou um pouco o corpo contra o batente, apoiando um ombro nele.
— Amanhã, vá à delegacia e registre tudo. Conte à polícia o que sabe sobre essa mulher. É melhor prevenir do que remediar.
Carolina alisou de leve o tecido do vestido com os dedos.
"Você não vai entrar?"
A pergunta ficou presa na garganta, sem sair nem voltar, deixando seu coração inquieto, latejando por dentro.
Na verdade, ela tinha pensado nele o dia inteiro.
Sabia muito bem que aquilo não tinha futuro, que não devia se aproximar. Ainda assim, não conseguia vencer aquela atração quase física, nem conter a saudade que vinha em ondas.
No fim, apenas assentiu, sem dizer nada.
Henrique a observava em silêncio. Naquele momento, seus olhos escuros haviam se tornado indecifráveis, sombrios. Ele não entrava, mas também não ia embora. Ficava ali, parado, olhando para ela, como se esperasse uma resposta.
Carolina mal conseguiu reagir. A pasta e o celular escaparam de suas mãos e caíram no chão. O corpo inteiro amoleceu, sem força, e ela só conseguiu se agarrar aos ombros largos dele, deixando-se conduzir enquanto correspondia ao beijo, cada vez mais entregue.
Da porta até a sala.
Da sala até o quarto.
Os beijos não cessaram nem por um instante.
Pelo caminho, as roupas foram ficando para trás, uma a uma, espalhadas pelo chão.
Aquela noite quente parecia densa demais, quase sufocante.
E Carolina sempre gostara da intimidade com cheiro de banho tomado, pele limpa, frescor.
Por isso, tudo começou no banheiro.
Sob a água corrente, os dois se buscaram como se quisessem descarregar de uma só vez toda a saudade, todo o desejo, toda a tensão reprimida. Nada mais importava além daquele momento, além do calor, do toque, da entrega sem reservas.
Naquela noite, o tempo pareceu cruelmente curto.
Curto demais.
E Carolina já não tinha a mesma resistência de antes. Mais tarde, exausta, mal conseguia se manter acordada, mole nos braços dele, com as pálpebras pesadas, quase adormecendo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...